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REGIÃO: Copel deve desativar vilas em Pinhão e Reserva do Iguaçu

No início de abril, o vereador e presidente da câmara municipal de Pinhão, Israel de Oliveira Santos (PT), propôs a criação de uma Comissão Especial para analisar a desativação. Ele falou à reportagem da Rádio Cultura.

03/05/2021

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Em 5 de abril, no fim da sessão da câmara de vereadores de Pinhão – PR, o presidente da casa, Israel de Oliveira Santos (PT), convidou os demais colegas para a criação de uma Comissão Especial para representar os interesses da comunidade de Faxinal do Céu, uma vez que a vila que pertence à Companhia Paranaense de Energia (Copel) pode ser desativada nos próximos dias.

Segundo representantes da empresa, as medidas são necessárias para conter despesas. Além da vila em Faxinal do Céu, o residencial de Reserva do Iguaçu, município que faz divisa com Pinhão, também deve ser desativado.

“Precisamos de ação, e a primeira sugestão é irmos até o Ministério Público em uma comissão e fazer com que a Copel prorrogue, não por vontade dela, mas por interesse público, interesse da comunidade, interesse do Pinhão o contrato do ambulatório. A Copel é uma empresa pública e em plena pandemia vamos deixar uma comunidade em seu entorno sem atendimento (médico), além do problema social que já está acontecendo?”, questionou o presidente do legislativo municipal na ocasião.

Israel sugeriu ainda, a revogação da lei que fez a doação do terreno onde está construída a nova escola naquele povoado. “Precisamos ter decisão firme neste momento e que o Executivo também compre essa ideia”, sublinhou.

Em entrevista ao programa O Assunto é Notícia, da Rádio Cultura de Guarapuava, na manhã de hoje, 3 de maio, Israel destacou que, caso desativada a vila em Faxinal do Céu, haverá consequências drásticas para o município, uma vez que aquele local abriga diversas atividades e é a residência de muitos funcionários públicos como professores e servidores da educação, por exemplo, além de trabalhadores nas usinas. “São reais as ações da Copel neste sentido. Nós (município) tínhamos convênio com a Copel para ambulatório de saúde, mas eles encerraram (as atividades) no dia 4 de abril. Outras atividades como hotelaria, também já não existem mais. Houve muitas demissões de pessoas que trabalhavam em empresas terceirizadas. Hoje, já temos ali, um problema social deixado pela Copel neste momento e que está nos preocupando muito. Buscamos uma saída para este impacto social e ambiental, uma vez que temos ali o Jardim Botânico, o único em nossa região, com espécies que estão até ameaçadas de extinção”, destacou Israel durante a entrevista.

NOTIFICAÇÕES

Desde o ano passado, alguns moradores tanto da vila residencial de Segredo, em Reserva de Iguaçu, quanto os que habitam as casas em Faxinal do Céu, em Pinhão começaram a perceber várias modificações na maneira de conduzir as vilas por parte da Copel. Isso, conforme disseram em reportagem ao Jornal Fatos do Iguaçu à época, era motivo de muita preocupação.

As duas vilas pertencem à Companhia Paranaense de Energia, que as criou e as mantém dedes o início. Nesses locais, moram prestadores de serviços à empresa, professores e os trabalhadores que atuam nas Usinas de Energia Elétrica Governador Ney Aminthas de Barros Braga, localizada no rio Iguaçu, a 2 km da montante da Foz do Rio Jordão e a Governador Bento Munhoz da Rocha Netto, de Foz do Areia.

A vida dos moradores no entorno das represas está muito ligada às vilas residenciais, principalmente em Faxinal do Céu, como constatou a reportagem.

HISTÓRICO

Em 1975 a Copel ganhou a concessão para a construção da Usina Governador Bento Munhoz da Rocha Netto para a exploração de energia no rio Iguaçu distante cinco quilômetros da jusante da foz do Rio Areia. Essa construção e exploração atingiu de forma direta os moradores do distrito de Faxinal do Céu, em Pinhão.

Para a construção da Usina, várias áreas de muitos moradores foram alagadas. Desta forma, eles tiveram que mudar o rumo de suas vidas.

Tendo começado a operar em 1980, hoje é a maior usina da Copel e possui capacidade de gerar 1.676 megawatt/hora (Mwh).

A CONCESSÃO

Pelo contrato existente entre a Copel e a União, a estatal tem o direito de explorar a Usina até setembro de 2023. Após essa data a concessão da exploração da energia de Foz do Areia para os próximos 30 anos iria para novo leilão.

PRIVATIZAÇÃO 

Com base em um decreto federal de 2018, reeditado em 2019, que permite às concessionárias terem as outorgas renovadas por 30 anos, desde que privatizem a maior parte das operações em até 18 meses antes do fim do contrato, a estatal, não querendo pôr em risco sua posse da Usina, formalizou um pedido ao Ministério de Minas e Energia de concessão de sua principal usina hidrelétrica, a Governador Bento Munhoz da Rocha Neto, ao repasse à iniciativa privada  de 51% da operação de Foz do Areia, ficando com uma fatia minoritária da geradora. A empresa indicada para o repasse é a F.D.A. Geração de Energia Elétrica S.A, hoje subsidiária da Copel.

CUSTOS

Para atrair o interesse do setor privado para realizar a transação que a manterá explorando a Usina da Foz do Areia, a Copel organizou um plano de redução de custos e nesse, está a desativação das vilas residenciais.

De acordo com moradores, a empresa “tem buscado fazer tudo isso de forma muito discreta, pois é evidente que essa operação levará à demissão de centenas de pessoas, que até por medo de retaliações da empresa, não falam muito da situação, sejam trabalhadores diretos, fornecedores ou terceirizados”.

ESTRUTURAS

Em Segredo, no município de Reserva do Iguaçu, além do setor de residências, há o Museu Regional do Iguaçu que guarda e conserva elementos que contam a história da região, já que muitos desses foram destruídos com o alagamento para a construção da Usina.

Em Faxinal do Céu, no município de Pinhão, a empresa abriga uma grande estrutura. Há dois anfiteatros, um com capacidade para 600 pessoas, outro com salas para estudos e discussões de temas diversos, além do Jardim Botânico.

Para a inauguração do espaço de recepção do Jardim Botânico, em 5 de junho de 2019, a superintende de meio ambiente da Copel Geração e Transmissão Luísa Nastari, falou que a Companhia tem o grande desafio de gerar e transmitir energia em equilíbrio com o meio ambiente. O secretário  estadual de desenvolvimento sustentável e turismo do  Paraná, Márcio Nunes, que declarou que “é muito bom estar aqui, ver essa obra que foi toda realizada com materiais reciclados em um espaço que, com certeza, já promove o turismo, mais ainda, vai ser muito mais impulsionado, contribuindo para o desenvolvimento de toda a região”.

No entanto, conforme os moradores, empresa não está preocupada com o meio ambiente e com o desenvolvimento da região.

De acordo com o jornal Fatos do Iguaçu, a Copel foi procurada pela reportagem que questionou como ficaria a manutenção desses espaços após a privatização. A resposta que chegou via assessoria de comunicação da empresa, dizia que “a Copel esclarece que está estudando alternativas para a destinação de instalações que não sejam vinculadas às atividades fim da Companhia (geração, transmissão de energia elétrica), entre elas, as vilas residenciais de usinas e estruturas anexas. Essa medida integra um plano de ações a serem adotadas para garantir a perenidade dos negócios da empresa no mercado de energia, que está cada vez mais competitivo. Para cada instalação, haverá um plano específico de destinação ou administração que atenda exigências legais e regulatórias do poder concedente às quais a Copel está submetida”.

Com informações da Rádio Cultura de Guarapuava e Jornal Fatos do Iguaçu

Foto: Reprodução/ Facebook/Faxinal do Céu

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