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GUARAPUAVA: Julgamento de Luís Felipe Manvailer entra no segundo dia

O primeiro dia de julgamento durou mais de 12 horas. Na ocasião, duas pessoas foram ouvidas. Luís Felipe é acusado de assassinar a mulher, Tatiane Spitzner, na noite de 22 de julho de 2018, em Guarapuava.

05/05/2021

Vista aérea do Fórum de Guarapuava

Ontem, 4 de maio, foi o primeiro dia do júri de Luís Felipe Manvailer, acusado de assassinar a mulher, Tatiane Spitzner, na noite de 22 de julho de 2018, em Guarapuava.

A advogada de 29 anos, foi encontrada morta, após queda do 4º andar de um prédio no centro da cidade, conforme relato da Polícia Militar (PM), na época.

A Polícia Civil passou a investigar o caso como suspeita de feminicídio.

Luís Felipe, que fugiu do local, foi detido na manhã do mesmo dia, um domingo, após sofrer um acidente na rodovia BR-277, em São Miguel do Iguaçu, a 340 quilômetros de Guarapuava.

Relatos da Polícia Militar dão conta de que o caso foi atendido por volta das 3h, na Rua Senador Pinheiro Machado. Os agentes receberam a informação de que uma mulher “teria pulado ou sido jogada da sacada de um edifício, caindo na calçada”.

Ao chegar ao local, os policiais encontraram muito sangue na rua e foram informados de que um homem tinha carregado a vítima no colo para dentro do prédio, ainda conforme o boletim.

O relatório de investigação preliminar da Polícia Civil detalhou que, na escada de entrada do prédio, foi encontrado um par de botas femininas e que no segundo elevador havia um brinco no chão.

Em seguida, a equipe da PM relata que foi até um apartamento localizado no 4º andar, onde havia rastros de sangue.

“Nesse momento, um casal de moradores no apartamento ao lado, relatou que ouviu gritos de uma discussão, vindos do apartamento do casal e que ouviram a mulher gritando por socorro, a qual foi vista pela vizinha, chorando na sacada”, informa o relatório policial.

A Polícia Civil descreveu que, após avistarem a mulher chorando na sacada, os vizinhos entraram para pegar o telefone e chamar a polícia. Naquele mesmo instante, escutaram um barulho. Ao voltarem para a janela, “viram a vítima caída na calçada”.

A porta do apartamento foi arrombada e os policiais encontraram a advogada no chão, com muito sangue na região da cabeça. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi chamado, mas ela já estava sem vida, diz o boletim.

O corpo da advogada foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) da cidade. Um documento do órgão apontou a causa preliminar da morte como sendo queda.

Ainda de acordo o relatório da PM, o síndico do prédio forneceu imagens de câmeras de segurança que mostram o marido da vítima saindo do edifício em um carro branco.

Um alerta foi emitido, e o veículo foi localizado em São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Estado, após um acidente de trânsito perto do trevo de acesso à cidade. Segundo a PM, ele deixou o carro e caminhava próximo à localidade de Linha Catiporã, sentido Foz do Iguaçu, quando foi localizado, detido e encaminhado para a delegacia da cidade onde foi ouvido.

O delegado de São Miguel do Iguaçu, Francisco Sampaio, afirmou que, em depoimento, Luís Felipe Manvailer negou ter matado a esposa. Ele relatou que houve uma discussão do casal, que começou em um bar.

“Ele estaria comemorando o aniversário dele, e lá ela teria pedido a ele para olhar um aplicativo de mensagem no celular dele. E ele se negou a dar para ela verificar. A partir daí começaram as discussões”, contou o delegado.

Os dois resolveram ir para casa, onde a discussão se agravou e, em um momento da briga, o marido contou que precisou imobilizá-la no sofá, ainda de acordo com Sampaio.

“Ele a impediu de sair do apartamento. E de acordo com ele, na sequência, ela pegou o rumo à sacada e haveria se atirado de repente”, detalhou o delegado.

Sampaio informou ainda, que na ocasião, Luís Felipe era suspeito de feminicídio e que podia responder, também, pelo roubo do carro da mulher.

Preso, Luís Felipe foi encaminhado a Guarapuava onde está detido desde então, na Penitenciária Industrial (PIG) da cidade.

O JÚRI

Depois de ter sido adiado por três vezes, o júri teve início ontem. Inicialmente marcado para 3 e 4 de dezembro de 2020, o julgamento foi adiado para 25 de janeiro de 2021, após um advogado de defesa do réu ser diagnosticado com COVID-19.

A segunda remarcação do júri ocorreu após pedido da defesa do réu por incompatibilidade de datas.

Já na terceira vez, em 10 de fevereiro de 2021, o júri popular foi encerrado após a defesa do réu abandonar a sessão, logo depois do meio-dia. Os advogados alegaram ter o “trabalho cerceado” depois de uma decisão do juiz que não permitiu o uso de um vídeo como prova da defesa.

A sessão de ontem, terça-feira, 4 de maio, durou quase 12 horas. Além de formar o Conselho de Sentença, duas testemunhas foram ouvidas.

Ainda pela manhã foram sorteados os sete membros do Conselho de Sentença. Todos os selecionados são homens, brancos, e têm idades entre 20 e 50 anos.

A defesa e a acusação recusaram, como prevê a regra, três candidatos a jurado cada uma. A sétima pessoa foi recusada pelo juiz.

PRIMEIRO DIA

O jornalista da Central Cultura de Comunicação, Cléber Moletta, acompanhou o primeiro dia do júri e relatou que ao longo da sessão, somente duas testemunhas foram ouvidas. O primeiro a ser ouvido, foi o delegado Bruno Miranda Maciosec, responsável pela investigação na primeira fase. Depois, foi ouvida a médica Camila Gibran, que na época da morte de Tatiane, morava no mesmo edifício que o casal, o Golden Garden.

Na avaliação do Ministério Público, o primeiro dia ajudou na instrução do processo. O promotor Pedro Brazão Papaiz afirmou que o delegado e a vizinha reafirmaram pontos importantes da acusação que sustenta ter ocorrido um homicídio e que o autor é Luís Felipe Manvailer. “No entendimento do Ministério Público, as testemunhas ouvidas hoje, apesar de (serem) apenas duas, contribuíram com a instrução. O delegado, doutor Bruno Maciosec, fez uma análise minuciosa do inquérito policial e relatou todas as provas que ele obteve durante a condução desse inquérito e os motivos que o levaram a indiciar Luís Felipe pelo feminicídio”, abreviou o promotor.

Já para a defesa de Manvailer, o primeiro dia de julgamento foi de revelações surpreendentes. O advogado Claudio Daledone ressaltou que algumas questões que não foram elucidadas na primeira fase das investigações, agora devem ser esclarecidas.

Um ponto bastante explorado pela defesa no depoimento do delegado Bruno, foi o fato de o corpo de Tatiane ter feito um trânsito considerado incomum. Ele passou por duas perícias no IML. Uma delas, ocorreu depois de o corpo ter sido liberado e ido para a funerária, onde recebeu tratamentos para o velório e sepultamento. Momentos depois, conforme o advogado, o corpo retornou para uma segunda perícia.

A defesa afirma que na primeira perícia o laudo aponta politraumatismo em queda de nível. Já na segunda, é acrescentada a esganadura como causa da morte. “Não se permite que um corpo seja retirado do velório e volte ao IML para satisfazer ali e confortar interesses que a gente não imagina quais sejam. Nós chamamos essas pessoas. Isso foi clandestino, isso foi ilegal. Essas pessoas estão chamadas a plenário, isso vai ter que ser esclarecido”, enfatiza o advogado.

Outro aspecto que já demonstrou qual dever ser a linha da defesa é apontar algumas questões relacionadas às condições emocionais de Tatiane Spitzner. O advogado de Luís Felipe afirmou que foram feitas perícias em mensagens de celular e, na avaliação da defesa, Tatiane tinha um perfil de fazer chantagem emocional.

“Foi feita uma investigação defensiva no aparelho de celular, no computador, nos diálogos de WhatsApp, demonstrando que ela era uma habitué, acostumada a conseguir tudo o que queria e, infelizmente, usando de uma estratégia emocional, chantagens emocionais. Concluímos, chegando na questão da própria perícia, em queda de nível, da reprodução em queda de nível, que indica que o que houve ali, foi um acidente”, discorreu o advogado.

Por mais de uma vez, a defesa enfatizou o fato de Tatiane utilizar um remédio indicado para tratamento de depressão, o Velija.

O júri continua hoje com a oitiva de mais testemunhas. O julgamento deve durar três dias.

Foto: Mauricio Toczek

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