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Grupo armado de 25 pessoas, incluindo policiais, é preso protegendo propriedade rural, em Guarapuava

Segundo advogados dos presos, eles estariam prontos para defender a área de invasores.

15/04/2021

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Um grupo de 25 pessoas, incluindo cinco policiais militares da ativa e outros da reserva, foi preso na noite desta quarta-feira (14), em uma propriedade rural no distrito de Guará, em Guarapuava. Eles são acusados de associação criminosa e porte ilegal de armas e munições. O grupo teria ameaçado moradores da região, que vive uma intensa disputa pela posse das terras, o que motivou a ação policial.

Eles estariam na área preparados para revidar a uma possível invasão das terras, segundo os advogados.

“Alguns dos presos são donos [das terras] e outros são trabalhadores, justamente usando o que o Código Civil diz, que quando há invasão a sua posse você pode inclusive usar a força”, afirmou o advogado de defesa dos presos, Miklael Jhônatas Bento Alves.

“A legislação garante essa possibilidade ao possuidor, ao proprietário”, reiterou o também advogado de defesa Acir Neves.

O grupo foi preso pela polícia com um verdadeiro arsenal. Foram apreendidas 15 armas de fogo, incluindo cinco pistolas. O grupo também portava 17 carregadores e mais de 800 munições de diversos calibres. Um dos presos era foragido do sistema prisional, condenado por receptação.

Ainda segundo a defesa dos presos, há decisões judiciais que comprovam a propriedade aos seus clientes. Eles também criticaram a ação policial, uma vez que seriam os seus clientes as vítimas de supostas tentativas de invasão.

A região da prisão fica na Serra da Esperança, local onde há pelo menos 20 anos ocorrem diversas disputas pela posse e propriedade da terra. As invasões e conflitos são frequentes no local.

Nesse caso, o grupo de 25 pessoas era formado por contratados por pessoas que se dizem proprietários das áreas. Um deles é Aguinaldo Leuch, que teria decisões judiciais lhe assegurando a propriedade de parte das terras na região. O outro seria morador de Guaratuba, no Litoral do Paraná.

Também estão entre os presos pessoas que teriam comprado parte dos terrenos e que temiam invasões.

As comercializações de área na região são geralmente feitas por contratos informais. Ou seja, não há transações com registro em cartório. Na região agem vários grileiros, que invadem áreas com o intuito de revendê-las. Na maioria das vezes na informalidade

Policiais 

Segundo a PM "serão instaurados os devidos procedimentos administrativos, em consonância aos procedimentos criminais, para a melhor apuração acerca do envolvimento ou não dos policiais militares nesta situação."

MST

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) afirmou à reportagem da Rádio Cultura que não tem relação nenhuma com os conflitos na região. Parte dos envolvidos está acusando o movimento de ter invadido as terras.

“Nós reafirmamos que a autoria de qualquer invasão que possa estar acontecendo na região de Guarapuava. Não temos nenhuma discussão no Estado para fazer ocupações, não temos em Guarapuava nenhuma instância que se chame ‘Central do MST’ e não temos grupos armados ou uso de violência por parte dos militantes do MST”, disse a Josiane Grossklaus, advogada e militante do movimento.

Crimes ambientais

A reportagem da Rádio Cultura já mostrou em diversas ocasiões ações criminosas na região. Uma prática comum que vem se repetindo na região são as invasões com o objetivo de limpar a vegetação nativa, preparar as áreas para plantio ou criação de gado, e revender a preços menores que os praticados no mercado. Os contratos são informais, na maioria das vezes.

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