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Bispado de Guarapuava lança oração pelo pedido de beatificação de Dolores de Jesus Camargo

A jovem que morreu aos 27 anos, no município de Pinhão, pode ser a primeira santa da diocese de Guarapuava. Conforme a história popular, ela dedicou sua vida e seu sofrimento a Jesus Cristo.

07/06/2021

Bispado de Guarapuava lança oração pelo pedido de beatificação de Dolores de Jesus Camargo

 

A jovem que morreu aos 27 anos, no município de Pinhão, pode ser a primeira santa da diocese de Guarapuava. Conforme a história popular, ela dedicou sua vida e seu sofrimento a Jesus Cristo.

 

Na foto: Dom Amilton Manoel da Silva entrega a oração oficial ao pároco de Pinhão, padre Claudemir da Silveira Didek.

 

Lançada no último dia 7 de junho, no bispado, em Guarapuava, a oração pedindo a beatificação de Dolores de Jesus Camargo. A jovem, que nasceu em 25 de março de 1932 e morreu em 8 de agosto de 1959, no município de Pinhão, viveu em odor de santidade, segundo a história. Informações e documentos comprovam que Dolores dedicou sua vida e seu sofrimento a Jesus, a quem sempre buscava e agradecia por tudo o que ocorria em sua vida. A ela, milagres e graças são atribuídos.

O pároco da paróquia Divino Espírito Santo, em Pinhão, padre Claudemir da Silveira Didek, o chancelar da diocese de Guarapuava, padre Marinaldo Cheliga e o bispo diocesano, Dom Amilton Manoel da Silva, participaram de uma reunião onde formalizaram a oração pelo pedido de abertura do processo de beatificação de Dolores.

Leia a oração na íntegra:

Deus de amor e de bondade, que enchestes o coração da vossa filha Dolores de Jesus Camargo, de um profundo amor à Eucaristia e a Nossa Senhora. Quisestes que ela fosse associada à Paixão do Vosso Filho, na enfermidade e por longos anos, onde, com amor, paciência e resignação, ela se ofereceu como vítima pela conversão dos pecadores. Confiadamente, Vos rogamos ó Pai, que por sua intercessão, nos concedais a graça que agora Vos suplicamos... (faz-se o pedido). E se for da Vossa vontade, humildemente pedimos, que a santidade de sua vida seja reconhecida pela Igreja, o mais breve possível, para a glória do Vosso nome. Por Cristo, nosso Senhor. Amém!

Pai-Nosso..., Ave-Maria..., Glória ao Pai...

(Com aprovação eclesiástica)

Observações:

1. Esta oração é para uso pessoal e particular.

2. Esta oração em nada pretende antecipar-se à autoridade da Igreja, à qual unicamente compete pronunciar-se sobre a santidade de Dolores de Jesus Camargo.

As graças alcançadas por intercessão de Dolores de Jesus Camargo sejam informadas, ao

postulador diocesano, padre André Santos Lima, no seguinte e-mail: padreandrelima@hotmail.com

SOBRE DOLORES

Dolores de Jesus Camargo, nasceu em 25 de março de 1932 e morreu em 8 de agosto de 1959. Conforme a história popular, ela dedicou sua vida e seu sofrimento a Jesus, a quem sempre buscava e agradecia por tudo o que ocorria em sua vida

Aos 13 anos, começou seus estudos no colégio Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava.

Um ano depois, agora com 14 anos de idade, foi visitar seus avós que viviam em uma fazenda, no município de Pinhão. A pedido da avó, Dolores foi torrar café, uma prática muito comum naquela época, principalmente para quem vivia no campo.

Com o corpo quente por ter ficado muito tempo ao redor do forno, Dolores foi tomar banho no rio antes de entrar na casa. Ela teve um choque térmico e sofreu uma paralisia em um lado de seu corpo, com grandes danos à sua face.

Era o ano de 1946 e a menina ficaria naquele estado de deficiência e dor por treze anos, quando não resistiu e morreu no mês de agosto de 1959.

Relatos familiares destacam que ela nunca reclamou de sua condição de saúde, embora tendo que interromper todas as suas atividades práticas, como estudar, por exemplo. Ela tinha a intenção de se tornar freira e colaborar com os projetos da Igreja em uma demonstração clara de vocação e doação a Deus.

Segundo relatos, além de prejudicar seu corpo, a paralisia a deixou cega, mas os mesmos relatos sublinham que ela não reclamava de sua condição, ao contrário, aceitava a situação com alegria. “Ofereço tudo a Jesus”, costumava dizer ao ser abordada sobre o assunto.

“Por diversas vezes, aqueles que tentavam consolá-la eram consolados por Dolores, pela força que sua fé lhe dava. Devota de São Miguel Arcanjo, sempre rezava a ‘Oração do Arcanjo São Miguel’”, contavam os que conviveram com ela.

Filha de Pedro Silveira de Camargo e Umbelina da Silveira Caldas, Dolores tinha outros oito irmão, em uma família de nove filhos.

De origem católica (como a maioria na região, naquela época), desde cedo, a criança se mostrava fervorosa em sua fé, conforme contam os moradores antigos do lugar. “Dolores crescia como qualquer criança, no entanto, a fé em Jesus Eucarístico e em Nossa Senhora, fazia com que ela se destacasse na espiritualidade ao ensinar outras crianças a rezar, principalmente a poderosa oração de São Miguel Arcanjo”, contam algumas pessoas.

Depois do acidente, impossibilitada de voltar ao colégio por causa da enfermidade, e tendo que desistir da ideia de se tornar uma religiosa, ela deu sequência à sua missão de um modo particular, rezando silenciosamente e alimentando a esperança da restabelecer a saúde. Mas este dia nunca chegou. Neste ínterim, ela oferecia sua condição física e suas dores a Deus, como fator de expiação de seus pecados e dos demais à sua volta. “Dolores passou aproximadamente treze anos naquela enfermidade, atrofiando cada vez mais o corpo e os membros pelo avanço da paralisia. Muitas vezes foi a Guarapuava, levada de carroça pelos pais, em vários dias de viagem para consultar o médico, receber a unção dos enfermos, confessar os pecados e comungar”, diz a história não escrita da menina.

Com o tempo, as dores e as dificuldades só aumentavam na vida de Dolores. Depois da perda da visão, ela se tornou mais sensível à sua fé, representando verdadeiro exemplo de paciência e perseverança. “As enfermidades e dificuldades aumentavam enquanto o tempo passava. Ela se tornava adulta e crescia fisicamente, dificultando os cuidados de cada dia. Aos poucos, Dolores foi perdendo a visão, chegando a ficar completamente cega. No entanto, aprendeu a enxergar com os olhos da fé. Era sempre uma grande inspiração de paciência, resignação, oferecimento e amor. Crescia em estatura, sabedoria e graça diante dos homens e diante de Deus. Recebia periodicamente a santa comunhão quando os padres iam até sua comunidade celebrar missas. Morreu em meio à sua família e comunidade, em 8 de agosto de 1959. A partir de então, foi sempre reconhecida pela família e amigos, como uma mulher de Deus, da eucaristia e da fé. Seu túmulo se encontra no cemitério da Caroba, em Pinhão. Lugar que espera a visita do povo de Deus e as orações por sua alma, bem como pedidos de graças por sua intercessão”, diz um texto escrito pelos familiares e amigos, sobre a vida de Dolores.

 

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