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A Vida tem Sentido - Síndrome de Jonas

22/09/2021

O teólogo Dr Jefferson Soares da Silva é colunista dos programas Culturando primeira e segunda edição (10h 15h30), da rádio Cultura FM de Guarapuava. 

O quadro  "A vida tem sentido" vai ao ar às quartas-feiras nos programas apresentados pela jornalista Céci Maciel.

Para ouvir, clique no player.

 

A síndrome de Jonas, tem embasamento no texto bíblico de Jonas. Em síntese, Jonas é chamado por Deus para ir até Nínive realizar sua missão. Não aceitando-a, toma um barco e segue em direção oposta. No trajeto, inicia-se uma tempestade. Quando o barco começa a naufragar os marinheiros descobrem que a tempestade acontece porque Jonas não cumpriu sua missão, e para que não afundar, decidem atirar Jonas ao mar, e assim fazem. No mar, ele é engolido por um peixe e, depois de passar três dias dentro dele, é devolvido à terra firme. Depois dessa experiência, Jonas reflete sobre sua vida compreendendo-a de outra forma, e aceita sua missão, seguindo um novo caminho, aquele que era seu desde o princípio.

Essa síndrome nos fala sobre o medo da autorrealização, de crescer, de amadurecer. Não é incomum que esse complexo esteja submerso na água da baixa autoestima, geralmente originado por uma infância turbulenta, dentre outras situações. Nessas condições, geralmente não nos sentimos merecedores de uma vida realizada, então, nos boicotamos, e a vida, nosso barco, afunda na culpa e no medo de enfrentar os desafios necessários ao caminho que somos chamados a seguir.

Muitas vezes a via que queremos trilhar pode ser um pouco diferente dos caminhos que muitos seguem, sejam eles relativos à nossa vocação, profissional ou religiosa, à nossa dimensão afetiva. Temer segui-lo fará com construamos um destino que talvez nunca tenha sido nosso. Para Freud, o dilema se concentra entre o desafio do sucesso e a comodidade do fracasso. Nessa via, Jesus nos motiva a seguir nossa missão de vida, dizendo “Ninguém acende uma lâmpada para cobrir com uma vasilha ou colocar debaixo da cama, mas coloca-a num candelabro, para que os entram vejam a luz.” (Lc 8, 16)

No setembro amarelo, dedicado à prevenção ao suicídio, se percebermos que alguém naufraga, não o lancemos ao mar  das críticas e julgamentos, mas o acolhamos estando ao seu lado, simplesmente ouvindo-o. Assim, um e outro encaminharão sua missão, encontrando terra firme.

 

Sobre

Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica na

linha: Teologia e Sociedade (2019). Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná na linha: Trabalho, Tecnologia e Educação (2014).

Especialista em Ética e Educação com ênfase em Teologia Moral (FACSUL) (2013) e graduado em Pedagogia pela Universidade Estadual do
Centro-Oeste (2010).

Membro do Grupo de Pesquisa: Los últimos años de vida: Demencias y dependencias, cuidados y sentido. El arte de
morir", da Universidade Pontifícia de Comillas ICAI-ICADE, na Cátedra de Bioética.

Pesquisa e produz, na Teologia, sobre a finitude da vida e luto, tradição e filosofia monástica, teologia e sociedade. Na
Educação, sobre “Educação mental”, História da Educação e Mundo de Trabalho e Tecnologia; Em Bioética, na Biotecnologia e Transtorno de Déficit de Atenção e
hiperatividade.

Especialista em meditação cristã, foi o criador e coordenador do Grupo de Leitura Partilhada Thomas Merton na PUCPR (GLPTM), em 2018. Foi conselheiro administrativo da Sociedade Thomas Merton Brasil.

Pela CNBB e pela CRB, é membro do Núcleo Lux Mundi, atuando na proteção à criança e adolescente de abuso sexual.

Pela GENITORE, atua em educação mental, parentalidade, luto e orientação vocacional.
Atua na formação de sacerdotes e seminaristas.

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