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A Vida tem Sentido - O que nos incomoda no outro

08/09/2021

O teólogo Dr Jefferson Soares da Silva é colunista dos programas Culturando primeira e segunda edição (10h 15h30), da rádio Cultura FM de Guarapuava. 

O quadro  "A vida tem sentido" vai ao ar às quartas-feiras nos programas apresentados pela jornalista Céci Maciel.

Para ouvir, clique no player.

Bateu doeu, pega que é teu: sobre autoconhecimento

 

Segundo a psicanálise, há possibilidade de projetarmos no outro aquilo que está em nós. Uma frase que bem sintetiza o que hoje irei abordar é: “Quando Pedro fala de João, Pedro fala mais de Pedro que de João”. De que forma a percepção sobre o outro pode influenciar a percepção sobre nós mesmos, e assim, o sentido de nossas vidas?

Antes, menciono que nesta reflexão me distancio de padronizações, ciente que pela complexidade humana jamais podemos nos conceber de forma binária. Ou seja, nem tudo é “preto no branco”. Em síntese, a expressão “bateu doeu, pega que é teu”, apresenta uma grande variedade de possibilidades, mas, se de fato dói, essa dor pode estar falando algo importante sobre “nós”.

Em um primeiro plano, se a espontaneidade de uma pessoa nos incomoda, há possibilidade que exista em nós uma intenção (quase que secreta) de se expressar de forma mais livre, como ela. As nossas “sombras”, segundo Jung, o lado sombrio de nossa personalidade, nos fazem negar o comportamento do outro para que permaneçamos numa zona de “aparente” conforto, mas que de confortável nada conserva, pois, possivelmente, um lugar de intensos sofrimentos interiores. Se conforma em um obstáculo para a descoberta de quem somos verdadeiramente. E não saber quem somos é equivalente a não ter clareza de para onde devemos ir. Lidar de forma solitária com essas questões pode ser algo demasiadamente complexo, portanto, sugere-se o auxílio de um profissional.

Em resumo, estamos aqui abordando além da questão inicial, outras duas também fundamentais, e que deixamos de nos fazer, pois soterrados por uma série de céleres compromissos: quem nós somos e qual nossa missão nesse mundo? Então, se “bateu doeu”, tentemos não negar prontamente, pois pode estar nos chamando para uma realidade importante sobre nós. A dor causada inicialmente pode ser o princípio da libertação de dores mais profundas e limitantes que permeiam nossa personalidade. Nesse contexto, um dos fragmentos da oração do Pai Nosso, faz todo sentido: “perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Ou seja, o outro está em nós e nós no outro, e entre os pares pode haver uma efetiva troca de aprendizagens e experiências que nos permitirão um novos sentido sobre nós e sobre a vida.

 

Sobre

Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica na

linha: Teologia e Sociedade (2019). Mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná na linha: Trabalho, Tecnologia e Educação (2014).

Especialista em Ética e Educação com ênfase em Teologia Moral (FACSUL) (2013) e graduado em Pedagogia pela Universidade Estadual do
Centro-Oeste (2010).

Membro do Grupo de Pesquisa: Los últimos años de vida: Demencias y dependencias, cuidados y sentido. El arte de
morir", da Universidade Pontifícia de Comillas ICAI-ICADE, na Cátedra de Bioética.

Pesquisa e produz, na Teologia, sobre a finitude da vida e luto, tradição e filosofia monástica, teologia e sociedade. Na
Educação, sobre “Educação mental”, História da Educação e Mundo de Trabalho e Tecnologia; Em Bioética, na Biotecnologia e Transtorno de Déficit de Atenção e
hiperatividade.

Especialista em meditação cristã, foi o criador e coordenador do Grupo de Leitura Partilhada Thomas Merton na PUCPR (GLPTM), em 2018. Foi conselheiro administrativo da Sociedade Thomas Merton Brasil.

Pela CNBB e pela CRB, é membro do Núcleo Lux Mundi, atuando na proteção à criança e adolescente de abuso sexual.

Pela GENITORE, atua em educação mental, parentalidade, luto e orientação vocacional.
Atua na formação de sacerdotes e seminaristas.

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