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Luís Felipe Manvailer é condenado a quase 32 anos de prisão pelo assassinato de sua mulher, Tatiane Spitzner

Depois de sete dias de júri, o biólogo e professor ouviu a sentença no Fórum de Guarapuava.

11/05/2021

Ouça o comentário do advogado de defesa, clicando no player:

Após sete dias de julgamento, o biólogo e professor Luís Felipe Santos Manvailer foi condenado a 31 anos, 9 meses e 18 dias de prisão pelo homicídio qualificado da mulher, Tatiane Spitzner, com quem era casado. Manvailer também foi condenado por fraude processual, por ter limpado o sangue e retirado o corpo da vítima do local do crime. A sentença foi lida no início da noite de ontem, 7 de maio, no Fórum de Guarapuava.

Tatiane morreu no dia 22 de julho de 2018. O corpo da advogada foi encontrado após uma queda da sacada do apartamento onde morava com o marido.

A investigação, incluindo os laudos da criminalística, apontaram para asfixia mecânica como causa da morte da Tatiane. Para o Ministério Público, a advogada foi morta por esganadura dentro do apartamento e depois o corpo teria sido jogado do quarto andar do edifício Golden Garden, no centro da cidade.

A prima da vítima falou à imprensa logo após o resultado do júri. Bruna Spitzner acredita que o caso serve de exemplo para que outras situações não se repitam. “É uma pena que a nossa ‘Tati’ não está aqui para ver. Mas ela salvou muitas vidas. Que isso que aconteceu sirva de exemplo. A nossa Justiça não deixa passar. Que nenhuma mulher morra mais. Que ninguém precise sentir a dor que a gente sente”, falou Bruna em tom de desabafo.

Manvailer não poderá recorrer em liberdade, ele também terá que pagar 100 mil reais de multa para os pais de Tatiane.

O advogado de defesa, Claudio Dalledone Junior, conversou com os repórteres, momentos depois do encerramento do júri. Segundo ele, a defesa recebe o veredicto de uma forma desolada, porque o cliente é inocente. “A defesa recebe (o veredicto) de forma desolada, porque (o réu) é inocente. Há uma dificuldade muito grande do criminalista, quando a gente sabe e defende uma pessoa absolutamente inocente, como é o caso do Luís Felipe. Guarapuava preferiu com o Obadias (de Souza Júnior) do que com o Saavedra (Luiz Airton Saavedra de Paiva - médico-legista e professor de medicina-legal). Guarapuava disse assim: ‘peguem os corpos que quiserem no Instituto Médico Legal. Façam aquilo que desejarem’. Então, é uma lástima, não só para o Luís Felipe, é uma lástima para todos. Perde a comunidade, perde a sociedade”, pontou Delladone, que anunciou que a defesa irá recorrer da sentença.

Relembre o caso

Na terça-feira passada, 4 de maio, foi o primeiro dia do júri de Luís Felipe Manvailer, acusado de assassinar a mulher, Tatiane Spitzner, na noite de 22 de julho de 2018, em Guarapuava.

A advogada de 29 anos, foi encontrada morta, após queda do 4º andar de um prédio no centro da cidade, conforme relato da Polícia Militar (PM), na época.

A Polícia Civil passou a investigar o caso como suspeita de feminicídio.

Luís Felipe, que fugiu do local, foi detido na manhã do mesmo dia, um domingo, após sofrer um acidente na rodovia BR-277, em São Miguel do Iguaçu, a 340 quilômetros de Guarapuava.

Relatos da Polícia Militar dão conta de que o caso foi atendido por volta das 3h, na Rua Senador Pinheiro Machado. Os agentes receberam a informação de que uma mulher “teria pulado ou sido jogada da sacada de um edifício, caindo na calçada”.

Ao chegar ao local, os policiais encontraram muito sangue na rua e foram informados de que um homem tinha carregado a vítima no colo para dentro do prédio, ainda conforme o boletim.

O relatório de investigação preliminar da Polícia Civil detalhou que, na escada de entrada do edifício, foi encontrado um par de botas femininas e que no segundo elevador havia um brinco no chão.

Em seguida, a equipe da PM relata que foi até um apartamento localizado no 4º andar, onde havia rastros de sangue.

“Nesse momento, um casal de moradores no apartamento ao lado, relatou que ouviu gritos de uma discussão, vindos do apartamento do casal e que ouviram a mulher gritando por socorro, a qual foi vista pela vizinha, chorando na sacada”, informa o relatório policial.

A Polícia Civil descreveu que, após avistarem a mulher chorando na sacada, os vizinhos entraram para pegar o telefone e chamar a polícia. Naquele mesmo instante, escutaram um barulho. Ao voltarem para a janela, “viram a vítima caída na calçada”.

A porta do apartamento foi arrombada e os policiais encontraram a advogada no chão, com muito sangue na região da cabeça. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi chamado, mas ela já estava sem vida, diz o boletim.

O corpo da advogada foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) da cidade. Um documento do órgão apontou a causa preliminar da morte como sendo queda.

Ainda de acordo com o relatório da PM, o síndico do prédio forneceu imagens de câmeras de segurança que mostram o marido da vítima saindo do edifício em um carro branco.

Um alerta foi emitido, e o veículo foi localizado em São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Estado, após um acidente de trânsito perto do trevo de acesso à cidade. Segundo a PM, ele deixou o carro e caminhava próximo à localidade de Linha Catiporã, sentido Foz do Iguaçu, quando foi localizado, detido e encaminhado para a delegacia da cidade onde foi ouvido.

O delegado de São Miguel do Iguaçu, Francisco Sampaio, afirmou que, em depoimento, Luís Felipe Manvailer negou ter matado a esposa. Ele relatou que houve uma discussão do casal, que começou em um bar.

“Ele estaria comemorando o aniversário dele, e lá ela teria pedido a ele para olhar um aplicativo de mensagem no celular dele. E ele se negou a dar para ela verificar. A partir daí começaram as discussões”, contou o delegado.

Os dois resolveram ir para casa, onde a discussão se agravou e, em um momento da briga, o marido contou que precisou imobilizá-la no sofá, ainda de acordo com Sampaio.

“Ele a impediu de sair do apartamento. E de acordo com ele, na sequência, ela pegou o rumo à sacada e haveria se atirado de repente”, detalhou o delegado.

Sampaio informou ainda, que na ocasião, Luís Felipe era suspeito de feminicídio e que podia responder, também, pelo roubo do carro da mulher.

Preso, Luís Felipe foi encaminhado a Guarapuava onde ficou detido desde então, na Penitenciária Industrial (PIG) da cidade.

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