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Morre, aos 78 anos, Lafayette Coelho

Marca inconfundível do movimento pop da década de 1960, o som do órgão do músico está eternizado em discos de artistas como Roberto Carlos e Erasmo Carlos.

31/03/2021

Lafayette Coelho Varges Limp (11 de março de 1943 – 31 de março de 2021), pianista e tecladista carioca que ajudou a delinear a assinatura do som da Jovem Guarda com o toque de órgão Hammond B3 ouvido em mais de 50 discos de artistas associados ao movimento. Órgão que, a partir de hoje, ficará somente nesses discos e nas memórias de quem viu o músico em cena.

Aos 78 anos, Lafayette morreu na manhã desta quarta-feira, 31 de março, vítima de infarto sofrido em hospital da cidade do Rio de Janeiro (RJ) onde dera entrada para tratar de pneumonia. A morte do artista foi confirmada pela viúva de Lafayette, Esmeraldina Dias Varges Limp, em rede social.

Basta ouvir as gravações originais das músicas Quero que vá tudo pro inferno (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1965) – hino da Jovem Guarda que consolidou definitivamente a carreira então ascendente de Roberto Carlos – e Coração de papel (Sérgio Reis, 1966) para perceber a marca do órgão de Lafayette nos discos da Jovem Guarda lançados a partir de 1965.

Lafayette chegou até Roberto Carlos através de Erasmo Carlos, que tinha gravado disco em 1964 com o toque do organista e gostou tanto do que ouviu que recomendou o músico para o amigo de fé e irmão camarada.

Aprovado por Roberto, o músico ganhou também o aval fundamental de Evandro Ribeiro, diretor centralizador da CBS, gravadora que sob contrato a maior parte dos ídolos da Jovem Guarda. Começou então a escalada de Lafayette dentro dos estúdios, mas não somente como acompanhante.

A sonoridade do órgão do tecladista era tão marcante que, após álbum inicial dedicado em 1965 à mulher Dina Lúcia, o artista começou a gravar a série de discos Lafayette e os sucessos, com abordagens instrumentais de hits da época. A série rendeu 20 volumes editados de 1966 a 1978 pela gravadora CBS, na qual Lafayette permaneceu até 1980, até ser dispensado e ter que gravar em companhias fonográficas de menor peso no mercado, como as já extintas Copacabana e Continental.

Mesmo com menor regularidade, Lafayette gravou discos até o fim da década de 1980, até amargar período de menor visibilidade encerrado quando, nos anos 2000, músicos cariocas da nova geração pop – fãs assumidos da Jovem Guarda – reabilitaram o organista com a criação em 2004 de grupo, Lafayette e os Tremendões, centrado na figura do tecladista.

Com Érika Martins (voz), Gabriel Thomaz (guitarra e voz), Melvin Ribeiro (baixo e voz), Nervoso (guitarra e voz), Raphael Miranda (bateria) e Renato Martins (guitarra e voz), Lafayette gravou dois álbuns, As 15 super quentes de Lafayette & Os Tremendões (2009) e A Nova Guarda de Lafayette & Os Tremendões (2015), este somente com músicas inéditas. Esses discos representaram fachos de luz em trajetória então já crepuscular.

Pianista de formação clássica, Lafayette começou a estudar piano na infância. Na adolescência, ouviu o chamado juvenil do rock'n'roll e se juntou, como músico, à celebre turma roqueira que se aglutinava na Rua do Matoso, no bairro carioca da Tijuca. Roberto, Erasmo, Jorge Ben e Tim Maia (1942 – 1998) integravam a lendária turma.

Nessa época seminal, Lafayette integrou conjuntos como Blue Jeans Rock e Sambrasa. Contudo, a vida do organista somente começou a mudar, de fato, quando a gravadora RGE o convidou para tocar no álbum de Erasmo Carlos em 1964.

O resto faz parte da história do pop brasileiro, construído ao longo da década de 1960 com a marca inconfundível do órgão de Lafayette Coelho. Som eternamente jovial que ainda influencia e encanta gerações.

 

Fonte g1

 

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