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Saiba tudo sobre o remdesivir, primeiro medicamento aprovado para tratar a COVID

Atualmente, o antiviral tem o registro de uso emergencial nos Estados Unidos e é utilizado no País desde maio. Também é aprovado pela agência regulatória europeia e na Suíça, Austrália e no Canadá.

16/03/2021

O remdesivir é aplicado em via intravenosa e o tratamento dura de 5 a 10 dais em ambiente hospitalar.

O remdesivir é o 1º medicamento recomendado para o tratamento da COVID-19 no Brasil. O uso do antiviral foi aprovado na última 6ª feira (12.mar.2021) pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Até o momento, é o único remédio que terá em sua bula a recomendação para o tratamento da infecção pelo Coronavírus.

Analisado durante seis meses pela Anvisa, o remdesivir tem potencial de ser uma importante ferramenta para o combate à pandemia da COVID-19 no País. Mas não é todo mundo que poderá utilizar o antiviral.

A Anvisa estipulou regras específicas para a compra e uso do remdesivir no Brasil. Segundo a agência, é necessário que todas as normas sejam seguidas para que a equipe técnica e de vigilância farmacológica acompanhe o uso do antiviral no território nacional.

O Poder360 explica como será o uso do remdesivir no Brasil.

Leia a seguir:

COMO O REMDESIVIR AGE

O remdesivir é um antiviral que foi desenvolvido para combater o ebola. Assim como outros antivirais, ele passou a ser testado contra o Coronavírus logo no início da pandemia. As expectativas com esse medicamento eram altas porque ele já foi utilizado com sucesso em surtos que envolviam outros tipos de Coronavírus, como Sars e Mers.

Segundo uma das pesquisas que tentaram verificar a eficácia do remdesivir contra a COVID-19, publicada no New England Journal of Medicine, a recuperação dos pacientes é acelerada com o medicamento. O estudo teve o patrocínio do laboratório Gilead, fabricante do antiviral.

Segundo a pesquisa, pacientes com casos moderados recebem alta cinco dias mais cedo do que aqueles que não são tratados com o antiviral. Já aqueles com quadros mais graves de infecção pelo Coronavírus se recuperam até sete dias mais rápido.

“Os dados fornecidos pelo laboratório mostraram que o uso do medicamento reduziu tanto o tempo de uso de suporte de oxigênio como no número de dias de hospitalização”, disse Renata Lima Soares, gerente de Avaliação de Segurança e Eficácia da Anvisa, ao aprovar o uso do medicamento. E completou: “[Essa redução] é muito importante para o contexto atual brasileiro, com a carência de leitos disponíveis”.

PARA QUEM É INDICADO

O remdesivir é indicado para pessoas maiores de 12 anos e com ao menos 40 kg. Para que o medicamento seja utilizado é necessário que o paciente esteja sentindo falta de ar e precise de oxigênio, além de estar clinicamente com pneumonia. Mas não é possível utilizar o medicamento se a pessoa já estiver intubada.

“É importante destacar que a indicação terapêutica aprovada em bula não se restringe à forma leve, moderada ou grave da doença. Ela está ligada à apresentação da pneumonia com necessidade de suplemento de oxigênio, desde que o paciente não esteja em ventilação mecânica ou extracorpórea”, disse Soares.

Segundo a Anvisa é indispensável que a pessoa esteja internada em um hospital. Esse é o único ambiente em que é permitido utilizar o antiviral. Isso porque é necessário que a equipe médica acompanhe todo o tratamento, que deve durar de 5 a 10 dias.

CONTRAINDICAÇÃO E VACINAS

Segundo a Anvisa, pessoas que já tomaram medicamentos como a cloroquina e a ivermectina podem ser medicadas com o remdesivir sem nenhum problema. Gustavo Mendes, diretor-geral de medicamentos da Anvisa, afirmou que a ivermectina e a cloroquina são medicamentos orais, enquanto o remdesivir é administrado na veia, então há poucas chances de interação entre os compostos.

Mendes afirmou ainda que o medicamento não é uma cura para a COVID-19, mas um tratamento. Ou seja, mesmo se uma pessoa teve COVID-19 e foi tratada com o remdesivir, ela deve ser vacinada.

“Esse medicamento auxilia no tempo de hospitalização e no tempo de uso de oxigênio hospitalar. Isso ajuda a desonerar o SUS, desonerar os hospitais, porque o tempo médio de internação diminui. Não estamos falando de cura, mas é um importante auxílio no enfrentamento dessa situação que estamos vivendo”, pontua Mendes.

PREÇO DO MEDICAMENTO

O remdesivir não será vendido em farmácias ou estará disponível para a população em geral. A Anvisa restringiu a comercialização e uso para hospitais. As entidades hospitalares particulares e o SUS (Sistema Único de Saúde) precisarão negociar as quantidades do medicamento diretamente com o laboratório Gilead.

O valor ainda não foi decidido porque essa é uma droga nova no mercado brasileiro. O preço será decidido pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos). Nos Estados Unidos, o custo do medicamento para o tratamento completo de até 10 dias é de cerca de US$ 3.200 (aproximadamente R$ 18.000).

OMS E ANVISA

Em novembro do ano passado, a OMS (Organização Mundial da Saúde) afirmou que não recomenda o uso do remdesivir porque, segundo as análises da organização, ele não evita mortes nem hospitalizações. Mas, segundo a Anvisa, os aspectos analisados pela organização internacional são diferentes dos analisados pela agência brasileira.

A OMS estava interessada na redução das mortes. A Anvisa focou na diminuição do tempo de internação. Diferentes estudos analisados pela agência mostraram que as pessoas tratadas com o remdesivir têm alta mais rápido do que os outros pacientes.

Atualmente, o antiviral tem o registro de uso emergencial nos Estados Unidos e é utilizado no País desde maio. Também é aprovado pela agência regulatória europeia e na Suíça, Austrália e no Canadá.

Gabriella Soares/Poder 360

Foto: © Divulgação/(CDC) Center Disease Control

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