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População consome 8,7 litros de veneno por ano no Paraná, denuncia campanha

Campanha realizada por várias instituições alerta população sobre uso de veneno na agricultura. Objetivo é conscientizar a população sobre o excesso de agrotóxicos no Brasil.

16/03/2018

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. O Paraná é o segundo estado do país que mais consome o produto. Por ano, cada paranaense consome o equivalente a 8,7 litros de veneno. Uma série de doenças são causadas pelos agroquímicos, comprovam pesquisas científicas.

Esses são alguns dos dados apresentados na campanha Viva Sem Veneno, realizada por diversas entidades, dentre elas o Ministério Público do Trabalho do Paraná. Um site foi lançado para divulgar as informações, além de outdoors espalhados em diversas cidades do Paraná.
“A gente visualiza um lobby muito forte das empresas produtoras de agrotóxicos no nosso país e essa venda do nosso país como o maior produtor de alimentos do mundo, na verdade vendemos commodities, monoculturas, soja para o boi”, disse o procurador Lincoln Roberto Nobrega Cordeiro, que atua no MPT em Guarapuava.
A predominância de um modelo agrícola no qual predomina o uso intensivo de agrotóxico é agravada pela legislação permissiva. Segundo o procurador Lincoln Roberto, o Brasil permite o uso de produtos que são proibidos em outros locais. Situação agravada pela entrada de químicos contrabandeados.
Se comparado com outros países, o Brasil utiliza mais agrotóxico por hectare. Segundo os dados divulgados pela campanha, nos países europeus são utilizados de 0 a 2 quilos de agrotóxicos por hectare, no Brasil são 8,33 quilos no mesmo tamanho de área. 
“Falta uma mobilização do nosso Congresso, dos nossos representantes, para visualizar o lado do aspecto humano, o país precisa produzir, precisa se manter, mas ele obviamente precisa garantir ao cidadão o mínimo em relação a saúde para pelo menos se precaver”, disse o procurador. 

Lei pulverização aérea

Proibir a pulverização aérea de defensivos agrícolas nas plantações do Paraná é a proposta que o deputado estadual Tadeu Veneri (PT) apresentou na Assembleia Legislativa e que se transformou no projeto número 02/2018.
O projeto tem como fundamento os estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostrando que menos de 1% das plantas são efetivamente atingidas pela pulverização e que o alcance do defensivo pode chegar a até 32 Km de distância do alvo original. Os produtos se disseminam ao redor pelas correntes de ar e têm impacto direto na saúde da população e no meio ambiente em geral.

Por conta do elevado percentual de perda durante a pulverização aérea, que pode chegar a mais de 80% e atingir localidades distantes, o volume necessário de veneno para aniquilar insetos e outras espécies acaba sendo muito maior. O Brasil responde por 20% do uso de agrotóxicos em escala mundial e é o maior importador destes insumos. O mapa “Brasil, Uso de Agrotóxicos” mostra que, no período de 2012 a 2014, o Brasil utilizou um média 8,33 kg de agrotóxico por hectare cultivados.

Veneri observou que vários municípios do Estado já aprovaram leis vetando a pulverização aérea. “É importante que tenhamos uma legislação estadual para banir esse processo na agricultura”, justificou.

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