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Remoção de hangares e casas próximas ao aeroporto de Guarapuava ainda não foi finalizada

Ainda que boa parte das indenizações tenha sido paga, alguns questionam valores e critérios para desapropriação.

22/05/2019

Ouça a reportagem no player.

A principal tarefa para continuidade das obras de ampliação do Aeroporto Municipal Tancredo Thomas de Farias é derrubar casas e hangares que estão em um raio de 150 metros do eixo da pista. Essa tarefa ainda não foi concluída. Alguns moradores e empresários concordaram com a proposta de indenização da prefeitura e estão prontos para sair. Outros ainda questionam o valor oferecido ou precisam de mais tempo.

Alguns donos de hangares, moradores e empresários questionaram a forma como a Prefeitura de Guarapuava está realizando o processo de desapropriação das áreas no entorno do Aeroporto Tancredo Thomas de Faria. Além de oferecer valores muito baixos para indenização eles reclamam que falta diálogo e clareza sobre os planos do município. Outra reclamação são promessas não cumpridas em relação à realocação dos moradores de uma das regiões.

A Prefeitura quer subir a classe do aeroporto, tornando-o capaz de operar por instrumentos e sem restrição aviões de grande porte – um dos requisitos para que a Azul instale uma rota, segundo a administração municipal – e para isso precisa fazer obras que passam pela demolição de tudo o que estiver a menos de 150 metros para cada lado da pista. Ao menos quatro hangares (galpões usados para guardar aviões) e cinco casas precisam ser demolidas para que o município realize seu plano. A prefeitura já pagou cerca de R$ 2 milhões com indenizações.

“Fomos contatados pela Prefeitura, eles mandaram uma correspondência com os valores que eles pretendiam pagar pela indenização, os valores eram vis e nós não aceitamos, e depois disso não tivemos mais nenhuma tratativa, eles não nos procuraram mais”, disse o agropecuarista Roberto Pfann. Ele e alguns de seus familiares são proprietários de partes dos hangares que a prefeitura pretende demolir.

Dos quatro hangares um deles está construído em terreno da Prefeitura e não cabe indenização. A estrutura ainda está em pé. Outros dois pertencem a seis diferentes donos que adquiriram partes da estrutura.

A reportagem apurou que os demais donos de cotas no local aceitaram a proposta da prefeitura.

Para Roberto Pfann outra decisão da prefeitura lhe prejudica. Somente parte do terreno deve ser desapropriada, mas a parte que restar ficará inútil. Isso porque, segundo ele, pelas regras de aviação e pela proximidade com a rodovia existem restrições que impedem que qualquer obra seja construída no local.

“Minha posição é a de que o terreno inteiro seja desapropriado. E, não vou me opor, eu quero receber o valor que é justo, apensa isso”, disse.

A administração também não sentou para conversar com outra pessoa diretamente interessada no assunto: o empresário Edinaldo Buffo.

“A Prefeitura nunca entrou em contato, a única notificação que nós recebemos foi via cartório recebida há cerca de 20 dias e dizendo que tínhamos que sair até o dia 30 de abril, via cartório, só isso, nunca um representante da prefeitura desceu aqui e veio conversar com a gente”, disse à Radio Cultura. E completou “Nunca nos chamaram ou vieram aqui para conversar sobre o projeto de ampliação do aeroporto”.

O empresário ocupa o terceiro galpão onde toca uma empresa de aviação agrícola. As obras no aeroporto inauguraram um período de incertezas para sua empresa. Ter que sair de onde está atualmente exige tempo e dinheiro para investir em uma estrutura nova, partindo do zero. Ele já está trabalhando com a perspectiva de mudar do local, mas ainda são muitas as dúvidas de como a situação vai ficar.

“O aeroporto tem que melhorar, mas não da forma que está sendo feito. A perspectiva que temos é passar para o outro lado da pista, vai construir, mas nos preocupamos com a segurança, como vamos chegar no outro lado, como será a operação, isso gera uma preocupação, não é muito confortável não”, disse Edinaldo.

Ele explicou à reportagem da Rádio Cultura que não se trata somente de construir um novo hangar, mas toda a estrutura da empresa com área administrativa, espaço para lavagem das aeronaves (que carregam produtos químicos), obtenção de uma série de licenças em pelo menos quatro órgãos para obter e renovar licenças de aviação e ambientais.

Edinaldo não quer barrar o avanços das obras do aeroporto, mas precisa de certezas: um local para construir o novo hangar. “Não é rápido como a prefeitura coloca, não é chegar e dar 30 dias para desocupar o hangar, não é bem por ai, precisamos de tempo hábil”, disse o empresário.

Ao lado dos galpões que guardam aviões existe uma moradia construída em alvenaria e que também deve ser destruída para expansão do aeroporto. As tratativas com os proprietários – que moram no local – ainda estão em andamento.

Exatamente no lado oposto aos hangares, perto da mesma cabeceira da pista, um grupo de cinco famílias também deve ser retirado.

José Gomes Pedroso mora nos ‘fundos do aeroporto’ há 15 anos. No mesmo terreno estão instaladas duas casas: a dele e de sua filha. Segundo ele há seis meses prometem entregar uma casa para ele, mas não devem dar uma nova moradia nem terreno.

Ele disse à reportagem que não se nega a sair do local, mas espera que ele a filha sejam realocados em outro local. “Preciso que doem uma casa ou pelo menos um terreno para minha filha também”, disse à reportagem.

Todas as casas dessa região não possuem documentação e estão ocupando irregularmente o terreno. Novas moradias para as famílias estão em construção na região do bairro Colibri.

 

 

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