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Negros em Guarapuava?

A professora e pesquisadora Karla Rosário Brumes, especialista em populações e migrações, conversou com a reportagem da Rádio Cultura e analisou o tema.

20/11/2019

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“Você tem a presença de negros aqui, nós temos um Quilombo aqui, o Paiol de Telha, que fica dentro de Entre Rios. Não somos uma região onde você não tem a presença do negro”, afirma a professora e pesquisadora Karla Rosário Brumes, do Programa de Pós-graduação em Geogafia da Unicentro.

Especialista em populações e migrações, a professora conversou com a Rádio Cultura e também falou sobre a desigualdade entre negros e brancos no Brasil.

Segundo dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) quase 1/3 da população de Guarapuava é formada por pessoas que se declaram negras e pardas. No entanto, há poucos espaços de valorização da cultura negra e, assim como em outras regiões do país, a cidade ainda apresenta desigualdade racial.

Na avaliação da professora, a população negra de Guarapuava tem o mesmo perfil nacional. “São os negros que moram nas regiões mais periféricas da cidade, em condições de vulnerabilidade maiores se comparados com os brancos. Na questão de educação, violência sempre se repete os dados nacionais”, reitera.

O que ocorre na cidade é também reflexo de uma política nacional pós-abolição da escravidão, quando o governo incentivou um processo de imigração – principalmente de Europeus – para ocupar os postos de trabalho antes realizados por escravos.

“Lá em 1888 qual se deu a libertação dos escravos a escolha que o governo brasileiro fez foi de abrir as fronteiras para a vinda dos imigrantes com a desculpa que eles tinham experiência de trabalhar no campo”, lembra a professora – que completa “interessante essa perspectiva, por que o escravo veio para a colheita da cana de açúcar e estava habituado ao trabalho no campo, estaria preparado para assumir, como trabalhador livre, os empregos nas lavouras”.

“Nós pesquisadores entendemos isso como uma tentativa e embranquecimento da população brasileira”, finalizou Karla.

Nesse cenário, ainda segundo a analise da especialista, se gerou uma distância histórica entre brancos e negros. Uns com acesso ao trabalho e renda, outros sem acesso a direitos básicos.

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