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Diocese de Guarapuava realiza Encontro de Formação Permanente do Clero

Durante três dias, mais de 50 padres participaram de palestras e momentos de espiritualidade. Iniciação à Vida Cristã foi o tema do retiro. Frei João Fernandes Reinert assessorou os trabalhos.

06/11/2019

De 4 a 6 de novembro, mais de 50 padres da diocese de Guarapuava se reuniram para o Encontro de Formação Permanente do Clero. O retiro foi na Casa de Líderes Nossa Senhora de Guadalupe, também em Guarapuava e o assessor foi o frei João Fernandes Reinert, que é natural de Gaspar, em Santa Catarina, mas que atualmente mora e trabalha na Fraternidade Franciscana Nossa Senhora Mãe Terra, em Duque de Caxias (RJ).

Durante os três dias de retiro, o religioso discorreu sobre o tema: Iniciação à vida cristã de inspiração catecumenal e conversão pastoral.

Para o coordenador diocesano do clero de Guarapuava, padre Joaquim Bernardo da Rocha, a formação que faz parte do calendário de trabalho dos padres, foi muito importante e propiciou a cada sacerdote a oportunidade de rever o tema e se atualizar sobre as propostas da Igreja desde seu início. “Este é um momento muito expressivo para todo o clero de nossa diocese, principalmente pelo tema trabalhado, que é a iniciação e a praticidade da vida cristã. Esse tema é muito pertinente, pois não se refere apenas a uma doutrina ou a uma pastoral da Igreja, mas a todas as pastorais e movimentos. Neste momento, só temos a agradecer pela vinda do palestrante e rezar por este trabalho que precisamos aperfeiçoar e pôr em prática em nossas comunidades”, destacou padre Joaquim.

Em entrevista, frei João Fernandes sublinhou que a iniciação à vida cristã é o futuro da evangelização. Conforme destacou o frei, mesmo que muitos sejam batizados, poucos são iniciados na fé e isso faz uma grande diferença enquanto Igreja.  “Eu costumo dizer que a iniciação à vida cristã é o futuro da evangelização. Somos uma multidão de batizados, mas nem sempre, iniciados na fé. Portanto, a iniciação não é apenas em vista dos catequizandos, em preparação aos sacramentos, mas sim, é tornar cada batizando um cristão mais consciente. Portanto, diz respeito a todos. Neste contexto, temos também, que pensar em novas formas de se fazer catequese. Não apenas uma catequese que ensina doutrinas, conhecimento, mas que põe em contato e em experiência pessoal com Jesus Cristo, ou seja, adultos na fé, uma pessoa consciente na forma religiosa”, pontuou Frei João Fernandes.

O palestrante falou ainda da Inspiração Catecumenal, que ele sustenta como um modelo de catequese que vem do início da Igreja, datado do século segundo e que foi reavivado a partir Concílio Vaticano II. “Essa forma se chama Inspiração Catecumenal. É um modelo lá do início da Igreja, do século segundo, que depois foi esquecido, mas que o [Concílio] Vaticano II recuperou. Então, eu digo que esse modelo é novo, mas, ao mesmo tempo, não é tão novo. Desde 1962, que a Igreja vem resgatando essa forma. Mas toda mudança é muito lenta e se torna difícil para cada diocese entender, aceitar e mudar a mentalidade. Eu diria que essa lentidão não é tanto pela resistência. O problema maior, é pela falta de tempo. Quarenta anos é um período muito curto, em se tratando de Igreja, para mudanças perceptíveis, e significativas. É muito recente ainda. São quarenta anos apenas, diante de mil e quinhentos anos de catequese-escola. Mas com o tempo, as coisas vão sendo assimiladas”, grifou o religioso.

Pelo fato de a diocese de Guarapuava possuir uma caminhada nesse sentido, frei João Fernandes sublinhou que há certa facilidade de aceitação e de assimilação de todo esse trabalho.

De acordo com o bispo da diocese de Guarapuava, Dom Antônio Wagner da Silva, a formação do clero é um assunto de extrema importância para a Igreja, pois vai muito além do que se costuma fazer no dia a dia das paróquias e comunidades. “Nesse tipo de trabalho formativo, contamos com gente especializada, que vem de outros lugares, trazendo novas experiências, vivências. A formação é fundamental. Nós nunca estamos prontos, acabados. E aqui, tratando da iniciação à vida cristã, podemos repensar nossa caminhada, porque não tem como estarmos contentes com aquele pensamento meio vago de cristandade. Todo mundo nasce cristão, mas só nascer cristão, não basta. A iniciação [à vida cristã] é a forma de fazer-se cristão. Cristo pegava pessoas de outras realidades, ajudava e as tornava cristãs. O que estamos aprendendo aqui, é termos esse compromisso cristão. Isso sim, faz sentido e repercute em tudo o que fazemos”, pontuou Dom Wagner.

FORMAÇÃO PARA LEIGOS

Aproveitando a passagem por Guarapuava por ocasião do encontro de Formação Permanente do Clero, ocorrido de 4 a 6 de novembro, na Casa de Líderes Nossa Senhora de Guadalupe, o palestrante, frei João Fernandes Reinert, realizou um momento de formação para catequistas e lideranças da diocese de Guarapuava.

A palestra se deu na noite de 4 de novembro, no auditório do Edifício Nossa Senhora de Belém e teve como tema: Iniciação à Vida Cristã. Mais de 150 pessoas das paróquias e comunidades participaram do encontro que foi uma extensão do assunto trabalhado com os presbíteros durante o retiro, porém com foco no leigo e a importância destes para a Igreja enquanto agentes formadores e disseminares da mensagem de Jesus Cristo.

Para o auditório lotado, frei João Fernandes disse que “investir na iniciação à vida cristã não pode ser opcional”.

Conforme o religioso, iniciação à vida cristã é o grande desafio pastoral da atualidade e, ao mesmo tempo, oportunidade para a concretização de um novo estilo evangelizador, caracterizado pelas marcas do querigma e da mistagogia. “Desafio porque vivemos em meio a uma crise religiosa, em que a indiferença para com a dimensão do sagrado cresce sempre mais; ofertas de um cristianismo líquido aumentam ainda mais essa crise; desafio, porque há uma multidão de iniciados tão somente nos sacramentos, filhos de uma catequese de cristandade, incapaz de iniciar existencialmente na vida cristã”, pontuou.

 

Diopuava

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