26/02/2016 09:10:00 - Colunistas

Ao pó retornarás

Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)

Nada é mais letal para o desenvolvimento de qualquer estudo que a presunção de ser suficientemente sabedor do assunto antes mesmo de ter ousado conhecê-lo.

 

(2)

No Brasil, o limite da paciência é a paciência sem limites, haja vista que aqui nessas terras de burocráticos botocudos as fronteiras do abuso são os abusos sem fronteiras.

 

(3)

Todo aquele que define um meliante como uma vítima inerme da injusta sociedade, das duas uma: ou é um idiota útil ou um canalha dissimulado.

 

(4)

O modo mais eficiente para agirmos sobre os outros é agindo sobre nós mesmos. Seja para o bem ou para o mal. Por isso, todo aquele que não nutre um mínimo de interesse pela sua própria educação não se encontra apto para educar uma criança, mas, com toda certeza, está plenamente habilitado para estragá-la.

 

(5)

Qualquer ato humano, generoso ou mesquinho, é uma pesada porta que se abre para toda humanidade.

 

No final das contas, tudo é uma questão de escolhas silenciosas e de atitudes discretas que acabam determinando quem e o que somos.

 

(6)

Gestos pródigos arejam a vida tornando-a suportável; já ações avarentas deixam a atmosfera do viver longe, bem longe do que possa ser considerado tolerável.

 

(7)

As formalidades sociais, mesmo as mais bestas, não existem para nos agrilhoar não. Elas necessariamente devem ser cultivadas para nos proteger contra o que há de pior em nós mesmos.

 

(8)

Antes de querermos mudar o Brasil e transformar o mundo, seria bem apropriado conhecermos com certa razoabilidade o papel social que desempenhamos para sabermos se estamos desempenhando-o a contento; se estamos minimamente à altura das suas exigências.

 

(9)

Todo aquele que incansavelmente procura a poeira da glória busca simplesmente não se sentir reduzido a apenas um montinho de pó inglório.

 

(10)

A seriedade com que realizamos nossos estudos reflete a acuidade com que encaramos o sentido de nossa vida.

 

(11)

Em tudo que é humanamente idealizado e realizado há o gérmen da degradação, principalmente naquilo que é efetivado e arquitetado por pessoas que presunçosamente imaginam-se estar acima do bem e do mal.

 

(12)

Todo aquele que muito fala, aqui e acolá, em ética, que se autoproclama ser o seu mais íntegro representante, sempre acaba fazendo de sua porca vida um belo monte de titica; e faz isso sem o menor pudor ético.

 

(13)

Quem faz do medo de desagradar seu principal conselheiro não sabe o que é educar.

 

(14)

Quem muito prima pela imagem de bom-moço deve tomar muito cuidado quando for distinguir o que é justo daquilo que não o é porque, muito provavelmente, irá confundir uma imagem artificiosa da justiça com a sua justa realidade que, por definição, não pode ser reduzida e enquadrada na pequenez da palavra social.

 

(15)

Uma arte viciada e viciosa atrofia a imaginação moral que, por sua deixa, deforma o caráter do seu portador.

 

 

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[Dartagnan]