23/02/2016 08:16:00 - Colunistas

Quando a máscara cair

Por Dartagnan da Silva Zanela

(1)

No Brasil, toda e qualquer competição política, seja ela em grande ou em pequena escala, sempre é movida por mesquinharias e regida de maneira bestial onde, invariavelmente, os excrementos verbais e os dejetos mentais são despejados aos borbotões na forma de promessas totalmente desprovidas de boa vontade.

(2)

Toda educação deve começar pelo autocontrole de si, pelo autodomínio de nossas paixões. Se esse ponto for negligenciado tudo o mais desanda, tornando a formação do indivíduo algo moralmente insípido, epistemologicamente inodoro e humanamente sem sentido.

(3)

O maior sonho do medíocre é livrar-se de suas responsabilidades e seguir com sua vidinha inconsequente sem maiores preocupações; se possível, sem nenhuma inquietação. Bem, isso é possível em certa medida, entretanto, por uma questão ontológica, não há menor probabilidade de um indivíduo, medíocre ou não, livrar-se das consequências de seus desatinos que acabam recaindo sobre si e sobre aqueles que estão em seu entorno. Isso vale tanto para os rumos tomados por aqueles que presidem um país como para os caminhos tomados por nós em nossa vida. Como dizem os tongos: não tem escape.

(4)

Um dos muitos sinais da demência nacional é incapacidade manifesta por muitos indivíduos, e por certos grupos de fulanos, para distinguir um debate sério de um reles bate-boca.

Essas pobres almas encontram-se tão incapacitadas que não percebem a sua indefectível intenção maliciosa de querer vencer, convencer, ou simplesmente se impor sobre o outro sem o menor pudor frente à verdade dos fatos e diante da majestade de sua própria consciência.

Para eles, a verdade é um luxo que eles não podem ousar reconhecer e acatar.

Pois é, e onde não há um mínimo de sinceridade, um pingo de amor pela verdade, não à menor possibilidade de diálogo e, se não há diálogo, o debate inexiste; onde a malícia toma o lugar da sinceridade, e a dissimulação toma as vestes da verdade, o bate-boca sem valor abunda juntamente com a total falta de senso de realidade.

E como esse troço, essa ignorância difusa e vaidosa, abunda em nossas terras.

(5)

Os idiotas, de um modo geral, confundem consistência ideológica com coerência lógica. Por isso, somente conseguimos entender as sandices ditas e feitas por essas almas infelizes quando procuramos compreender o tortuoso modo de pensar deles que tem como pedra de toque, não a dureza dos fatos e o esplendor da verdade, mas sim, aquilo que arbitrariamente é determinado pelos ditames e preceitos da corrente ideológica que tão bem agrilhoa a minguada inteligência dessa gente.

(6)

O sujeito que gosta muito de falar, sem ter necessariamente o que dizer, é por definição um indivíduo incapaz de se conter e, consequentemente, acaba sendo um elemento desprovido dum mínimo de habilidade pra prestar atenção no que vem aos seus ouvidos e naquilo que chega aos seus olhos e, por isso, acaba tornando sua alma inapta para aprender qualquer coisa minimamente virtuosa, dispondo-se apenas à prática de qualquer safadeza. De qualquer uma mesmo.

(7)

Quando a preguiça toma conta do corpinho, da moringa e da alminha, a tragicomédia vivida pelo caipora indolente acelera o seu passo, rumo aos finalmente, com um sorriso amarelado e sem graça. Ou, como dizem os tongos, quando a cabeça não ajuda, tudo o mais acaba padecendo. Tudo; tudinho mesmo.

(8)

Não costumo rir, não tenho o hábito de gracejar à toa. Na verdade, pouco vazes o gargalhar toma o leme das linhas da minha face. Todavia, vale lembrar: isso não quer dizer que eu seja um sujeito mal humorado não. Longe disso! Apenas procuro não agir - na medida de minhas forças, que não são muitas – feito um idiota que pateticamente ri de qualquer coisa, fazendo pose de superioridade. A esse ridículo não me entrego não. Não mesmo.

(9)

Há certas almas cuja estupidez é remediável; outras tantas, tolerável, mesmo que incurável. Porém há aquelas cuja paspalhice é tão insuportável - tamanha a sua envergadura - que o melhor a fazer é simplesmente não comentar nem uma linha sequer porque certas tolices, de fato, não tem cura não. E, de mais a mais, como dizem os antigos, o que não tem remédio é melhor deixar quieto - do jeito que está - pra não feder mais do que já está a catingar.

 

 

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[Dartagnan]