19/01/2016 - Colunistas

O avesso do avesso

Por Dartagnan da Silva Zanela

 

(1)

Millôr Fernandes dizia que intelectual é todo qualquer tonto que assina abaixo-assinado de intelectuais. Agora quando uma chusma de advogados militontos assina um manifesto em defesa da petralhada seria o que? Pois é, eu tava desconfiado justamente disso, mas fiquei com vergonha alheia e resolvi não escrever.

 

(2)

Todo canalha acredita candidamente que seus privilégios indecorosos, garantidos através de malabarismos legais, são direitos humanos fundamentais exclusivos que ninguém deve ousar tascar.

 

(3)

Agrepino Griego dizia que não é exagero dizer que no Brasil tudo é exagerado. De todos os exageros, o mais usado e abusado nessas terras de Pindorama é a exagerada falta de senso do ridículo de muitíssimas de nossas autoridades e, em fartos casos, de seus representantes legais.

 

(4)

A comandanta voltou a chamar os cidadãos - que não são poucos - que clamam por seu impeachment de golpistas, alegando que depor um presidente simplesmente por não gostar dele seria um atentado contra a democracia.

 

Não comandanta. Não. Muitas pessoas querem a sua queda, de seu partido e de seus aliados por aquilo que vocês tão bem representam: por causa da inegável sanha totalitária, pela sua total incapacidade administrativa e devido a sua inegável perversão moral presente na sua maneira de (des)governar o nosso entristecido país.

 

Enfim, não é uma questão de afeto ou desafeto não. Não mesmo.

 

(5)

Chamar as depredações do patrimônio público e particular, que estão pipocando em muitas cidades brasileiras, de manifestações democráticas seria a mesmíssima coisa que chamar as marchas da S.A Nacional-socialista Alemã e as fileiras dos Camisas Negras Fascistas italianos de movimentos sociais democraticamente constituídos.

 

(6)

Todos aqueles que saem às ruas com a clara intenção de entrar em confronto com as forças policiais, que para o trânsito para depredar o patrimônio público e particular, acreditando que estão exercendo o seu direito a tal da cidadania, com o perdão da palavra, não são cidadãos, nem manifestantes, nem mesmo foliões. São sim, bandidinhos sem vergonha da pior espécie, querendo criar um factoide político que venha a beneficiar o projeto criminoso de poder que eles, sonsamente cônscios, tão orgulhosamente defendem.

 

(7)

Cabeça de mortadela engajada funciona mais ou menos assim: para essas alminhas, investigar os malfeito do projeto criminoso de poder é um delito de lesa pátria imperdoável, porém, defender a caterva de incompetentes capazes de tudo que afunda o país na lama promovida por esse governo com pretensões totalitárias, é um ato patriótico que eles cumprem orgulhosamente em nome de seus delírios ideológicos que, não são poucos, diga-se de passagem.

 

(8)

Bobão que defende ladrão não merece nem mesmo um insulto de atenção.

 

(9)

Alguém tinha que explicar para essa gurizada que gosta de tacar fogo em ônibus e ficar virando carros da política que há uma diferença abissal entre negociar algo como um cidadão decente e dar chilique de marionete revoltadinho que faz tudo o que o chefe da matilha ideológica manda. O dia em que essa gente compreender essa nada sutil diferença eles terão vergonha, muita vergonha, do papelão que estão fazendo. Sim, quando isso ocorrer já será tarde, mas será alguma coisa.

 

(10)

Os militontos, travestidos de intelectualóides progressistas, não se contentam em apenas violar os mais elementares princípios éticos e em subverter as mais rudimentares normais morais. Eles labutam, acreditem, e muito, para que a sua perversão, para que a sua ignóbil soberba torne-se o novo preceito moral, o novo fundamento ético.

 

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