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Afinal, faltam respiradores nos hospitais de Guarapuava?

Mensagens em redes sociais divulgam dados errados sobre a quantidade de equipamentos disponíveis e geram pânico e desinformação. Profissionais esclarecem que esse não é o foco no momento.

19/03/2020

Em meio ao avanço da pandemia de Covid-19 e do início das medidas locais para conter o Coronavirus surgiram nas redes as primeiras informações imprecisas e notícias falsas. Em um dos casos que mais viralizou um áudio atribuído a uma médica da cidade divulga a informação equivocada de que existem somente 22 respiradores para toda regional de saúde, sugerindo que em algum momento as equipes médicas teriam que escolher quem sobreviveria e quem morreria por falta do equipamento, como supostamente ocorreu em outros países.

Segundo médicos e administradores que estão na linha de frente das ações de enfrentamento da doença na cidade, a realidade mostra que não é bem assim. Primeiro porque as informações estão incorretas, mas também porque não se pode comparar a nossa realidade, nesse momento, com epicentros do Covid-19, como a região Norte da Itália, como se faz em algumas mensagens que circulam por aplicativos de mensagem.

“É claro que a situação é muito preocupante, mas nós não podemos criar alarme falso. Hoje se fala pelas redes sociais que tem 18, 20 ventiladores em toda a regional [20 municípios] e não é esse número. Somente no hospital são Vicente temos mais equipamentos que isso”, esclarece o médico e diretor clínico do hospital São Vicente de Paulo, Eduardo Borges.

Dados abertos do Data SUS mostram que no mês de fevereiro em todos os hospitais da Regional de Saúde de Guarapuava, formada por 20 municípios e população de 455 mil pessoas, são 84 respiradores/ventiladores em funcionamento.

Em relação ao hospital São Vicente de Paulo, o diretor não informou que cinco novos foram comprados.

Ventilador/respirador é um equipamento que realiza a ventilação mecânica em pacientes com dificuldades respiratórias, um dos quadros para o qual podem evoluir pacientes com Covid-19.

Foco na contenção do vírus

Além disso, segundo o médico, essa não é a principal necessidade do momento na cidade de Guarapuava e região. O principal foco é que todos façam a sua parte e mantenham o isolamento social, intensifiquem hábitos de higiene e protejam pessoas do grupo de risco, evitando que o coronavirus contamine muitas pessoas e, principalmente, que surjam muitos pacientes de casos graves, que vão exigir equipamentos e leitos em UTI.

“Nesse momento não há necessidade de uso desses ventiladores, temos hoje leitos vazios nas duas Utis”, esclarece Eduardo.

Também não se pode criar pânico sobre falta dos equipamentos porque não é possível afirmar, segundo o médico, quantos pacientes vão precisar dos ventiladores mecânicos e se eles vão ser insuficientes.

A tarefa agora é fazer ajustes e ficar preparado para o surgimento de casos, trabalhando intensamente na prevenção. Até o final da tarde de quinta-feira (19) não havia casos confirmados para Guarapuava e região.

“Nenhum país está completamente preparada para uma pandemia como essa, ninguém guarda respiradores no almoxarifado, então, é óbvio que há necessidade de ajustes das coisas, e é isso que nós estamos fazendo”, explicou

Além disso, pelo plano de contingência do estado os Hospitais Santa Tereza e São Vicente de Paulo são retaguarda no atendimento. Eventuais casos graves devem ser levados para Curitiba, nos hospitais referências.

Alas isoladas

O diretor administrativo do Hospital Santa Tereza, Francisco Cogo, esclareceu a reportagem da Rádio Cultura que a instituição já tomou medidas de adequação da estrutura para o enfrentamento de possíveis casos confirmados.

Uma ala isolada para pacientes com insuficiência respiratória e aumento de um para oito leitos de UTI em isolamento.

Como hospital de retaguarda, as pessoas com insuficiência respiratória e com exame realizado e resultado positivo será inserida na central de leitos e encaminhada para os hospitais de referência na Capital.

Omissão de dados

Outra mentira divulgada no mesmo áudio atribuído a uma médica é sobre a quantidade de casos na cidade. A mensagem sugere que as autoridades estão omitindo dados e que existem casos confirmados na cidade. Não é verdade. Até o final da tarde de quinta-feira (19) somente um caso suspeito seguia sendo investigado. Outro caso já havia sido descartado para Covid-19 e não há casos confirmados.

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