ouça as rádios cultura FM 93 FM
facebook instagram twitter youtube

Vandalismo e mudanças na captação de água coincidem com surto de diarreia, em Pinhão

Ato de vandalismo teria causado vazamento do reservatório Poço do Gato e pode ter relação com casos de diarreia. No entanto, não há análises realizadas que comprovem a causa do surto até o momento.

22/05/2020

Reportagem: Cléber Moletta

Um surto de diarreia que atingiu ao menos 764 pessoas até a manhã desta sexta-feira (22), em Pinhão, ocorre simultâneamente a problemas de vandalismo no reservatório Poço do Gato e alterações do local de captação da água potável para população. Até o momento, no entanto, não se sabe qual a causa do surto. Um das suspeitas é a contaminação da água.

A hipótese de contaminação da água como causa do surto é feita pelo fato de muitas pessoas, em diferentes regiões da cidade e ao mesmo tempo, terem apresentado os sintomas desde o último domingo (17). Leia mais sobre.

Leia também: Surto de diarreia já atingiu mais de 700 pessoas em Pinhão

Durante o último o fim de semana (16 e 17 de maio) o reservatório Poço do Gato, local de captação da Sanepar em Pinhão, sofreu um ato de vandalismo que causou vazamento de água e redução do nível da represa. A assessoria da Sanepar confirmou o vandalismo, mas não deu detalhes.

O nível d'água já estava baixo e o rompimento pode ter removido o lodo e misturado na água material orgânico contaminado. Esse lodo, que naturalmente se deposita no fundo de lagos e lagoas, pode conter substâncias que tem potencial de infectar pessoas e causar sintomas como diarreia e vômito. Mas essa hipótese só pode ser confirmada com exames de amostras da água.

A Sanepar afirmou em nota que todas as amostras analisadas estão dentro dos padrões. “Todas as análises efetuadas na água distribuída para 100% dos moradores da área urbana de Pinhão estão dentro dos padrões de potabilidade, definidos pela Portaria de Consolidação Número 5, do Ministério da Saúde. Nessa quinta-feira (21) a Sanepar entregou à 5ª Regional de Saúde todas as análises de água feitas no município de 01 de abril até 21 de maio.”, diz um trecho da nota.

Outras mudanças

Sem mencionar os problemas de vandalismo, a Sanepar comunicou na terça-feira (19) que iniciaria uma nova captação, no Rio Tapera. O motivo informado foi a redução de 60% no volume do Poço do Gato, onde sempre foi feita a captação da água em Pinhão. Além disso, um novo módulo na estação de tratamento seria ativado.

No entanto, adutoras se romperam e nos dias 20 e 21 boa parte da cidade ficou sem água. Essa foi a primeira vez que a captação do rio Tapera foi utilizada. Com o rompimento, equipes da Sanepar e Prefeitura trabalharam para consertar os dutos e retomar o abastecimento.

Posição prefeitura

A prefeitura de Pinhão está focando no atendimento as pessoas suspeitas da doença aguardando o resultados das análises. Em entrevista à Rádio Cultura o prefeito, Odir Gotardo, foi cauteloso ao tratar do caso. “Não podemos tirar conclusão precipitada, eu tenho acompanhado e mantido contato com o Adão [Slompo], chefe do escritório regional da Sanepar, e ele tem sido muito solícito e a companhia certamente vai explicar o que houve quando ele levantar isso”, disse Odir.

Segundo ele, a prefeitura tem agido com a Vigilância Sanitária, que busca identificar as causas do problema do surto, e com equipes da Secretaria de Urbanismo, que auxiliaram a Sanepar a consertar as tubulações rompidas.

Exames

Na avaliação dos profissionais e autoridades de saúde somente exames das fezes e de amostras de água, aguardados para próxima semana, vão dizer o que causou o surto de vômito, diarreia, dor de cabeça e dor abdominal. “Aguardamos o resultados dos exames dos pacientes e 'da água, coletada em pontos estratégicos da cidade, pra termos certeza do que estamos falando”, disse a enfermeira Muriel Boeira da Silva, que coordena a atenção primária em Pinhão.

Ela explicou que esses sintomas podem decorrer de diferentes causas, de vírus, bactérias ou protozoários.

A relação com a água é feita pelo fato de muitas pessoas, em diferentes regiões da cidade e ao mesmo tempo, terem apresentado os sintomas.

Secretaria de estado investiga

Em entrevista à Rádio Cultura na tarde desta sexta-feira (22) a coordenadora da Vigilância Epidemiológica do Estado, Acácia Nasr, disse que nenhuma hipótese é descartada, mas disse que a água é uma das causas investigadas. “Amostras foram colhidas e serão analisadas, antes disso não é possível afirmar se há relação”, disse a diretora.

Segundo ela a situação é pontual e não está sendo observada em outras regiões ou cidades do Paraná.

Os resultados das amostras de água e de fezes da população estão sendo analisados pelo Laboratório Central do Estado e devem ser finalizados na semana que vem.

Comentários




acompanhe a central cultura no facebook

Basta clicar no botão Acompanhar logo abaixo.

Fechar