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Estudo demonstra que a suspensão das atividades religiosas reduziram em 9,7% as hospitalizações e 2,6 % as mortes no país, por COVID-19

O estudo foi realizado pela Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC), da qual participa o Setor Universidades da Comissão Episcopal Pastoral para Cultura e Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

29/04/2020

O estudo sobre a restrição da participação dos fiéis nas missas, feito a partir de um modelo matemático, demonstra que já foram evitados um grande número de infecções, hospitalizações simultâneas e mortes no país.

O estudo foi realizado pela Sociedade Brasileira de Cientistas Católicos (SBCC), da qual participa o Setor Universidades da Comissão Episcopal Pastoral para Cultura e Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Grupo de Pesquisa em Modelagem de Problemas Biológicos do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG).

O modelo matemático

O resultado foi alcançado, a partir de um modelo matemático chamado SIR, que demonstrou o impacto do distanciamento social no número de infecções, hospitalizações simultâneas e mortes no país. O modelo considera como variáveis da pesquisa o número de pessoas suscetíveis à doença, as pessoas imunes e o público estimado nas missas, além de outros fatores. Como fonte dos dados, os pesquisadores utilizaram os números disponibilizados pelo Ministério da Saúde e pelo Censo do IBGE.

Os pesquisadores ampliaram a tecnologia e criaram o modelo STIRM. Além das três variáveis, a nova tecnologia de pesquisa inclui ainda as pessoas que participaram e as que não participam do distanciamento social (chamadas de S e T) e acrescenta a classe das pessoas mortas pela epidemia (chamada de M).O modelo pode ser aplicada em outros grupos sociais para entender melhor a contribuição de cada segmento na mitigação do avanço da doença.

“No estudo calculamos os números de vidas poupadas com a medida. Dos 3.295 óbitos pela Covid-19, estimamos que a medida pode ter salvado mais de 120 vidas humanas, fora os milhares de pessoas não infectadas. O estudo utiliza o recorte do dia 21/03, quando as missas foram suspensas, até o dia 23/04, afirma o doutor em Engenharia Elétrica e professor do departamento de Matemática do Cefet, Rodrigo Cardoso. Segundo o pesquisador, o número varia entre 46 e 125, com média em 85.

Prospecção da Pesquisa

No atual contexto, três dados são muito relevantes, quais sejam, o número de infectados, o número de hospitalizações simultâneas e o número de mortes. Segundo o relatório da pesquisa, “dentro das hipóteses e casos considerados nesta estimativa, os resultados apontam que apenas essa medida pode ter sido responsável pela redução de 2,6% no número de casos de infecção e mortes no país e pela redução de cerca de 9,7% do número de casos de hospitalização simultâneos durante o pico da epidemia”.

O Prof Everthon Oliveira (CEFET-MG), presidente da Sociedade Brasileira dos Cientistas Católicos (SBCC), nos ajuda a compreender o dado em prospecção, “Se considerarmos, a título de exemplo, que ao final da epidemia teremos um pico de 500mil leitos sendo demandados ao mesmo tempo, e um total de 40mil mortes pelo país, a medida terá representado a redução de demanda de cerca de 50 mil leitos e poupado a vida de mais de 1.000 brasileiros”.
Segundo o Prof Everthon Oliveira, que também colaborou na pesquisa, “a redução de hospitalizações simultâneas, isto é, pessoas que necessitarão do serviço de saúde ao mesmo tempo, também é muito relevante e representa um outro número significativo de vidas poupadas. Além disso, retarda o colapso do sistema de saúde e favorece o planejamento dos governantes”.

O presidente da SBCC ainda assevera, “O estudo procurou dar números aos efeitos da medida de modo isolado, a saber, suspensão das missas. Mas sabemos que o impacto dessa e outras medidas, como fechamento das escolas, comércio etc., quando combinadas possuem um efeito muito maior”.

Visão pastoral da pesquisa e da contribuição da Igreja no Brasil às medidas sanitárias adotadas

É um consenso de que as medidas de distanciamento social determinadas pelas autoridades sanitárias evitaram muitas infecções, hospitalizações simultâneas e mortes no país. De modo consoante às orientações das autoridades sanitárias, os bispos das arquidioceses, dioceses e prelazias suspenderam as atividades religiosas, entre estas as missas, em todo país. D. João Justino, arcebispo de Montes Claros, presidente da CEPCE e membro da SBCC, teceu considerações acerca da pesquisa e da decisão de suspensão das atividades religiosas, numa entrevista ao Site Dom Total: “A contribuição oferecida pelo artigo sobre a “estimativa do impacto do grau de distanciamento social no número de casos e óbitos decorrentes da COVID-19” demonstra quão acertada é a opção do distanciamento social. O estudo demonstrou em termos estimativos a contribuição da Igreja Católica para a não disseminação do vírus, tomando como recorte as missas que foram suspensas”.

D. João Justino, dilata a reflexão, incentivando novas aplicações da tecnologia de pesquisa em outros grupos sociais: “Outros estudos semelhantes poderiam ser feitos para identificar quantas vidas foram poupadas pelo cancelamento de diferentes eventos, suspensão de aulas nas escolas e universidades, por exemplo. Os resultados desse trabalho científico evidenciam o acerto da decisão de “fechar as igrejas para celebrações com assembleias”, por mais impactante que seja para a vida de nossas comunidades eclesiais”.

De acordo com a SBCC, mesmo a restrição aos sacramentos tendo sido dolorosa para os católicos, é importante observar que a contribuição foi fundamental para preservar vidas e não colapsar o sistema de saúde. “Com esse estudo a SBCC pretende colaborar tanto para a divulgação científica junto ao público católico, como salientar para a sociedade em geral os esforços que a Igreja tem feito no intuito de auxiliar no enfrentamento da pandemia”, diz o artigo.

 

CNBB

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