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800 residências foram atingidas pela tempestade em Guarapuava

Professor e geógrafo da Unicentro, Paulo Nobokuni, fala sobre as chuvas, as causas e consequências, em entrevista à rádio Cultura FM.

30/05/2019

A chuva que começou durante a noite de ontem (29) e se estendeu por toda a madrugada, cessando apenas no final da manhã desta quinta-feira, causou danos à cidade de Guarapuava. Segundo a Secretaria de Assistência Social, 800 residências foram atingidas pela tempestade sendo que 200 foram no bairro Boqueirão. O temporal também forçou 12 famílias a saírem de casa, e até agora foram distribuídos cinco colchões, quatro cestas básicas e cinco sacos com roupas para as pessoas que tiveram perdas.

Em entrevista concedida ao repórter da Rádio Cultura, Cléber Molleta, o professor e geógrafo da Unicentro, Paulo Nobokuni, falou sobre as chuvas, as causas e consequências. Segundo Paulo, as causas das inundações são ocupações em áreas irregulares, próximas a córregos e mais baixas, o que facilita o acúmulo de água. Ele também afirma que é possível prever as chuvas fortes com alguma antecedência “em 1998 teve uma inundação muito grande no verão, em 2008 outra, e a gente estava prevendo para 2018, ela ainda deu um certo atraso”, explicou. O professor ainda diz que não há como ser totalmente preciso em relação a quando as chuvas fortes virão.

Paulo afirma que ao entender que é possível ter uma noção de quando a próxima tempestade virá, medidas de precaução devem ser tomadas. Ele ressalta a importância da criação de uma política de realocação da população que vive em área de risco de inundações, assim como criar formas para que essas pessoas possam se sustentar “um bairro com habitação, uma fabriqueta de sabão, de costura, uma horta, pras pessoas se
assentarem e sobreviverem, né”.

Além de ser um problema relacionado ao meio-ambiente, as inundações também apontam um problema social que deve ter uma atenção maior por parte da administração da cidade. Com base nos estudos do geólogo, mesmo havendo residências de bom porte e até mesmo empresas localizadas em áreas com risco de inundações, a maioria da população dessa região é de uma classe mais baixa “as pessoas que vivem ali geralmente são muito empobrecidas [...] então é um problema social também, uma questão social”, pontuou.

Em relação às medidas que devem ser tomadas, assim que a possibilidade de uma grande chuva surgir, o professor afirma que, num cenário ideal, deveriam existir formas de alertar a população, locais que podem servir de abrigo, como ginásios e até mesmo uma equipe que possa ajudar as pessoas a tirarem os pertences de casa, como colchões, móveis e eletrônicos, sabendo que, por muitas vezes, são os únicos itens de valor delas.

Paulo reconhece que seria um investimento grande, entretanto destaca os benefícios que medidas provisórias podem trazer “(as medidas) amenizam o sofrimento das pessoas, isso não tem preço e também, esses eventos trazem um prejuízo econômico razoável [...] seria interessante a gente criar todo um aparato preventivo, para minimizar as inundações, como lagos para a água ficar parada ou recolher recolher a água das casas”, explicou.

Ouça a fala do professor clicando no player.

Texto: Pablo Henrique Aqsenem (estagiário), sob a supervisão da jornalista Jorge Teles.

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