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Presença de "Dourados" na bacia do rio Iguaçu pode causar perdas ambientais

Espécie não nativa na bacia do Rio Iguaçu é trazida principalmente por interessados em pesca esportiva. Estudos apontam possibilidade de danos ambientais.

29/05/2019

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O dourado é uma espécie de peixe não nativa na bacia do Rio Iguaçu. No entanto, é comum na maioria das represas das usinas hidrelétricas do maior rio paranaense a presença do peixe. Isso ocorre principalmente porque pescadores esportivos preferem praticar a atividade com o dourado e trazem alevinos para serem soltos aqui. A presença da espécie, porém, pode trazer prejuízos para a biodiversidade local.

“No Iguaçu existe uma ictiofauna [conjunto das espécies de peixes que existem numa determinada região] totalmente diferente de outros lugares, os peixes que existem no Iguaçu não existem em nenhum outro lugar do mundo. Se o dourado se estabelecer e causar algum efeito negativo, um dos principais seria a perda de biodiversidade, seria uma perda em escala global”, explica o engenheiro de pesca Éder André Gubiani, professor e pesquisador da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo.

No entanto, os reais impactos da presença do dourado na bacia do Iguaçu ainda são objeto de estudo dos pesquisadores. Atualmente não existem comprovações de danos, mas o risco de que eles ocorram.

 “O pessoal que faz pesca esportiva geralmente procura espécies que tenham atratividade para pesca, que briga na hora de pescar e o dourado por ser um peixe predador de topo, que se alimentar de outros peixes, ele acaba tendo uma esportividade maior”, explica Éder. “O correto seria o pescador ir atrás do peixe, não o peixe ir até o pescador”, finaliza o pesquisador.

Os próprios pescadores postam fotos e vídeos fisgando os dourados em rios da bacia do Iguaçu, o que comprova a presença da espécie. Além disso, alguns clubes organizam competições específicas para pegar dourados. Uma delas, por exemplo, aconteceu em Porto União em dezembro de 2018.

Não é crime a soltura de espécies não nativas, ainda que isso possa gerar riscos ambientais.

Riscos

O professor Éder explicou que o aparecimento de uma espécie não nativa em rios de uma região não significa, necessariamente, que a espécie é invasora. Para ser um invasor são necessários ao menos dois requisitos: ele deve causar algum dano cientificamente comprovado e se reproduzir.

“Por enquanto a gente tem registro de ocorrência, mas não sabe se ela está se reproduzindo [...] e também não temos informação se ela vai causar um efeito negativo no ambiente”, esclarece o professor.

Um dos efeitos negativos, por exemplo, seria se alimentar de outros peixes nativos, já que o dourado é uma espécie que tem essa característica.

Sobre a reprodução, tudo indica que ele não ocorra, mas essa hipótese ainda não pode ser descartada. Existem alguns trechos dos rios Cavernoso e Jordão que, pelas suas características, geram mais atenção dos pesquisadores, mas não há registros científicos de reprodução.

 “Ele precisa migrar para se reproduzir, ele percorre um trecho de 200 a 300 km, Se não tiver trecho talvez ele não chegue a colonizar o ambiente, ou seja não tenha um ciclo de vida completo”, explicou.

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