ouça as rádios cultura FM 93 FM
facebook instagram twitter youtube

Pesquisadores em Guarapuava trabalham na descoberta de novos tratamentos para o Alzheimer

Professores e estudantes da Unicentro já patentearam fármaco que pode ajudar no tratamento de pacientes com Alzheimer. Outros projetos estão em andamento. Parceria com a Aepapa aproxima a ciência da comunidade.

28/05/2019

Ouça a reportagem no player.

Em muitos lugares do mundo existem cientistas buscando soluções para o mal de Alzheimer. Guarapuava, no interior do Paraná, é um desses lugares e aqui as pesquisas não estão restritas aos laboratórios. Para fomentar e apoiar trabalhos que buscam novas formas de tratamento para a doença professores e estudantes de pós-graduação da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) criaram a Associação de Estudos, Pesquisas e Auxílio aos Portadores de Alzheimer (Aepapa), uma instituição que atende pouco mais de 50 pacientes diagnosticados com o mal de Alzheimer e seus cuidadores.

E essa iniciativa, iniciada em 2012, tem apoiado um grupo atualmente formado por 35 pesquisadores em avanços importantes. Um exemplo é a nova formulação de um medicamento que pode ajuda a proteger de Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC) em pacientes com Alzheimer.

“A primeira fase foi desenvolver a molécula e agora tem a fase de testes. Mas já existem outros estudos científicos mostrando que ele tem papel de prevenir o acidente vascular cerebral”, explica Juliana Sartori Bonini, uma das pesquisadoras que participa do trabalho.

O novo medicamento modifica uma substância chamada apocinina, que já é usada comercialmente. A pesquisa realizada em Guarapuava, no entanto, pode melhorar a eficácia no uso do fármaco, diminuindo as doses e o custo de tratamento para alguns tipos de doenças inflamatórias osteomusculares, como a lesão por esforço repetitivo, doenças cardiovasculares e neurodegenerativas, como é o caso do Alzheimer.

A nova fórmula foi patenteada no ano passado pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi).

Parceria

Como a Aepapa está vinculada à Incubada Tecnológica de Guarapuava (Integ), ligada a Unicentro, é possível viabilizar pela associação a compra de materiais e a realização de exames em pacientes. Auxílio importante para o andamento das pesquisas.

“Os experimentos com os animais, a compra do fármaco, que é caro, foram feitas com apoio financeiro da Aepapa. No estatuto está escrito que a instituição visa a pesquisa, não é puramente assistência”, relembra Juliana, uma das fundadoras.

Na comunidade a instituição é mais conhecida pelo trabalho de assistência às famílias, com foco no paciente e seu cuidador. O apoio aos estudos e pesquisa, no entanto, forma o tripé de ações da associação.

Criação da Aepapa

“A Aepapa surgiu da pesquisa”, relembra Juliana. Em 2011 ela iniciou a orientação de um trabalho que exigia equipamentos e dados que naquele momento ela não dispunha. A associação foi uma alternativa para viabilizar estudos na área.

“O primeiro trabalho que eu orientei foi sobre a desnutrição de pacientes com Alzheimer, foi quando surgiu a ideia da Aepapa”, lembrou.

Pela associação foi possível se aproximar dos pacientes e desenvolver ações de pesquisa e assistência. O trabalho da pesquisa, naquele momento, começava a ficar mais próximo e contar com o apoio da comunidade.

Juliana chegou em Guarapuava em 2011, vinda do Rio Grande do Sul, onde realizou praticamente toda sua formação – de graduação a pós-doutorado. Teve como orientador Ivan Izquierdo, pesquisador reconhecido no Brasil e no exterior na área de memória e aprendizado. Já no Paraná se somou a outros professores no Programa de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas na realização de pesquisas ligadas as áreas de neurociências, neurofarmacologia, dentre outros.

Mais pesquisas

O pesquisador Bruno Bordin Pelazza começou esse ano sua pesquisa de pós-doutorado na área Empresarial da Unicentro e tem uma proposta inovadora. Ele trabalha para desenvolver uma fórmula de calcular o risco cardiovascular em pacientes com Alzheimer e com isso prevenir doenças.

“Vamos poder prevenir o surgimento de doenças inerentes ao envelhecimento como o infarto agudo do miocárdio, acidente vascular encefálico, doenças coronárias e outros problemas vasculares”, disse o pesquisador.

Ele explicou que pacientes com Alzheimer tem especificidades e que os métodos atuais não conseguem medir exatamente se há riscos para o surgimento de algumas doenças. Depois de concluído o seu trabalho deve ser registrado e poderá ser usado por médicos e profissionais de saúde no atendimento dos pacientes.

“Nós queremos uma calculadora que possa estimar os valores da pressão de pulso, correlacioná-los com uma escala de cognição desse paciente com Alzheimer e [...] estimar um valor que possa colocá-los em estágios de risco de piora de doenças cardiovasculares”, detalhou Bruno.

Para poder obter dados Bruno utilizará um grupo de pacientes atendidos pelo Sistema único de Saúde (SUS) e também pela Aepapa.

Acesso à comunidade

Outra pesquisa em andamento verifica processos de desnutrição em pacientes com Alzheimer. Esse projeto de doutorado da pesquisadora Juliana Valério exige a realização de exames não disponíveis na rede pública. Para os pacientes é um retorno direto, já que ao participarem da pesquisa os usuários da Aepapa obtém o serviço gratuitamente.

Maria do Carmo Ferreira da Silva, esposa de um paciente atendido na associação, explica que é frequente a oferta de exames e acompanhamentos da saúde do esposo por meio das pesquisas. Aliado a outros serviços tem garantido a melhora na qualidade de vida do marido.

“Ele melhorou muito depois que começou a participar da Aepapa, o jeito que ele conversa com a gente melhorou, ele não ficou mais agressivo e está aprendendo muita coisa lá, como exercícios para fazer em casa”, disse a moradora do bairro Primavera, em Guarapuava.

Foco nos cuidadores

A qualidade de vida e saúde dos cuidadores também é objeto de atenção da área assistencial da Aepapa. Mas, além da assistência, está rendendo uma pesquisa científica. Etiene Rabel Corso é assistente social e está pesquisando o perfil de gênero e geração dos cuidadores dos pacientes com Alzheimer. Segundo ela essa tarefa recai majoritariamente sobre mulheres que precisam também de um apoio para manterem sua saúde.

“Em qualquer ambiente de saúde pública você vai encontrar o perfil mulher de meia idade e com baixa escolaridade como responsável pela saúde daquela família”, explicou Etiene.

Para ela, é preciso conhecer melhor esse público, por meio de pesquisas, para viabilizar políticas públicas de assistência mais adequadas. Nesse sentido a pesquisa que vai utilizar fontes da Aepapa pode ser uma contribuição.

Todas as pesquisas citadas na reportagem são realizadas seguindo as regras do Comitê de Ética da Pesquisa da Unicentro (Comep), que por sua vez, segue parâmetros utilizados no mundo todo. Com isso, as descobertas feitas aqui em Guarapuava podem ser publicadas e compartilhadas com cientistas que também estudam o Alzheimer em outras partes do mundo.

Foto: Cléber Moletta

Galeria de Fotos

Comentários




acompanhe a central cultura no facebook

Basta clicar no botão Acompanhar logo abaixo.

Fechar