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Índios ocupam prédio de Ministério em Curitiba contra municipalização da Saúde

Acompanhando a manifestação dos índios, o deputado Goura (PDT) lamentou que se esqueça a dívida histórica que o Brasil tem com este povo.

26/03/2019

Dezenas de indígenas ocupam, na manhã desta terça-feira (26), o prédio do Ministério da Saúde na Rua Cândido Lopes, no Centro de Curitiba. Eles protestam contra proposta que prevê a extinção da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que passaria a atuar como um departamento, incorporando os serviços destinados às aldeias a uma nova Secretaria Nacional da Atenção Primária. Com isso, aconteceria uma municipalização nos serviços de saúde indígena. Informações da Rádio Banda B.

Presente no evento, o cacique Jacinto afirmou que a proposta traz riscos à população indígena. “Decidimos vir até o prédio do ministério porque essa mudança vai afetar diretamente o nosso povo. Querem extinguir a Sesai e nos jogar a um departamento que acaba com as equipes multidisciplinares”, lamentou.

Para Mauro Bueno, chefe do escritório local da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Curitiba, os índios precisam participar deste processo de mudança. “Nós acompanhamos a questão dos direitos dos indígenas, garantindo que eles sejam ouvidos neste processo. A retirada da Sesai fragiliza muito, porque passa ao poder municipal a questão da saúde, para cidades que já não conseguem resolver essas questões. Cidades pequenas vão ter um aumento de 40% na demanda”, explicou.

Acompanhando a manifestação dos índios, o deputado Goura (PDT) lamentou que se esqueça a dívida histórica que o Brasil tem com este povo. “Temos uma dívida histórica com os povos indígenas e não podemos admitir um desmonte das políticas de ajudas. Isso está vindo de cima (Governo Federal) para baixo. Municipalizar a saúde indígena é algo muito grave. Precisamos de uma ação diferenciada. Viemos para fazer esse apoio e intermediaremos as negociações”, disse Goura.

Mudanças são criticadas

A mudança tem sido criticada pelos povos indígenas. Em fevereiro, representantes das etnias Tapirapé e Carajá – que vivem na região da Ilha do Bananal e do Rio Araguaia, em Mato Grosso e Tocantins, – se reuniram com o subprocurador-geral da República Antônio Carlos Bigonha, a coordenadoria da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais do MPF (6CCR) e parlamentares ligados à Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

No encontro, relataram o sentimento de ameaça diante da proposta de municipalização da saúde, excluindo o atendimento pelos Distritos Sanitários Especiais Indígenas, que até então era feito a partir de profissionais e recursos específicos.

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