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Retomar a produção é um dos desafios de quem foi despejado de Alecrim, em Pinhão

Depois da reintegração de posse toda estrutura de produção foi destruída. Os moradores voltaram para as propriedades e estão reconstruindo.

30/11/2018

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De um dia para o outro, em poucas horas, as pessoas perdem o trabalho, a fonte de renda delas e da família. Como se reerguer? Em dezembro do ano passado moradores da Comunidade de Alecrim, em Pinhão, viveram esta situação depois que o lugar foi alvo de uma reitegração de posse. As Industrias João José Zattar, depois de retomada a área, demoliu tudo que estava construído (relembre aqui). Um ano depois a nossa reportagem foi acompanhar como está a retomada do trabalho das famílias. As famílias voltaram para área e estão, aos poucos, retomando as atividades que desenvolviam antes.

As propriedades não estão como antes, mas algumas famílias já conseguem tirar a renda das propriedades. Em 11 das 14 propriedades onde ocorreu a reintegração no ano passado os moradores já voltaram a morar e trabalhar. Cada um está se virando como pode.

Leia também: Famílias despejadas de Alecrim aguardam processo para receberem título das terras

Eferson Santos, de 38 anos, recebeu a reportagem da Rádio Cultura em meio ao trabalho com as vacas de leite, trabalho que é parte da renda da família. Como tudo foi destruído no ano passado, a estrutura está sendo reconstruída aos poucos. A família fez uma estufa para produção de verduras e legumes orgânicos e pretende continuar investindo na propriedade.

“Nosso interesse é produzir na área, apesar de não ter o título da terra precisamos tirar renda de algum lugar e a nossa fonte é aqui”, disse ele.

O senhor Valdevino de Paula França, de 68 anos, está morando sozinho em um barraco improvisado. Ele retomou as lavouras e o trabalho normalizou

“Minha área é 100% lavoura e pasto e está normalizado, o problema maior é a casa”, avaliou Valdevino.

Depois da reintegração muitas criações morreram ou foram roubadas, segundo os moradores. Também se perderam ferramentas e plantações. Alguns moradores passaram a enfrentar problemas de saúde o que dificultaram a retomada do trabalho. É o caso do senhor Nelson de Oliveira, de 61 anos. Ele vendia ovos e galinhas caipira, tinha 8 vacas, fazia queijo, tinha roças, criações.

“De um ano para cá eu estou praticamente parado, tive problemas ‘de nervos’, me ameaçou um derrame, ai levou à breca, sabe? Por sorte consegui me aposentar”, disse lamentando o agricultor. Além dele a esposa também teve problemas de saúde depois de viver a situação traumática. Ele realiza agora pequenos serviços dentro da propriedade, tem criação de peixes e alguns animais, mas não conseguiu retomar toda propriedade.

“Como aconteceu essa tragédia eu fiquei sem recursos, tive que vender algumas coisas”, disse.

Enquanto aguardam a regularização fundiária os moradores seguem investindo com meios próprios, sem financiamentos e ainda com receio de nova reintegração.

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