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Fanini afirma que pagou com propina para Beto Richa entre 2002 e 2015

Ex-diretor da Secretaria de Educação do Paraná diz que pagou com propina gastos de campanhas e despesas pessoais de Beto Richa entre 2002 e 2015. Informação foi divulgada pela RPC nessa terça-feira (05).

06/06/2018

Uma reportagem exibida ontem no jornal Paraná TV 1 Edição, da RPC, mostrou em detalhes o que o ex-diretor da Secretaria Estadual da Educação, Maurício Fanini, disse em delação premiada feita à Procuradoria-Geral da República (PGR). O ex-diretor está preso e negocia a delação. Até o momento, o acordo ainda não havia sido fechado.

Na delação, apresentada em várias reportagens, Fanini afirma ter intermediado pagamentos de propina para o ex-governador Beto Richa (PSDB) entre os anos de 2002 e 2015. As declarações foram documentadas nesta proposta de colaboração premiada, em dez anexos, obtida com exclusividade pela RPC e pelo G1. 

Segundo o ex-diretor, o dinheiro abasteceu as campanhas de Richa para a Prefeitura de Curitiba e para o Governo do Paraná, além de bancar gastos pessoais como viagens e a compra de um apartamento para o filho mais velho de Beto Richa, Marcello Richa.

Richa nega tudo e fala em “manobra arquitetada às vésperas do período eleitoral”. (Veja a nota completa do ex-governador mais abaixo).

Fanini foi preso duas vezes pela Operação Quadro Negro, que investiga desvios de verbas que deveriam ser usadas na construção e reforma de escolas estaduais. A estimativa do Ministério Público do Paraná (MP-PR) é a de que a fraude tenha ultrapassado o montante de R$ 20 milhões.

Réu em três ações criminais relacionadas à operação, Fanini está detido na carceragem da Polícia Federal (PF) em Brasília desde maio deste ano.

Richa

O ex-governador e pré-candidato ao Senado pelo PSDB, Beto Richa, disse,  por meio de nota, que a motivação do ex-diretor da Secretaria da Educação, Mauricio Fanini, foi feita para ele conseguir reduzir suas penas, que podem chegar a 50 anos de prisão. O tucano nega as acusações de que teria se beneficiado de um esquema de propina de empreiteiras de 2001 a 2015 para abastecer sua campanhas eleitorais e também gastos pessoais. Richa também criticou o vazamento da proposta do acordo de colaboração premiada, que parece ser uma “manobra arquitetada às vésperas do período eleitoral”.

Leia a nota de Richa na íntegra:

“A proposta de acordo de colaboração premiada de Maurício Fanini ainda se encontra sob sigilo e mais uma vez foi vazada criminosamente.

Esta forma ilícita de agir parece ser uma manobra arquitetada às vésperas do período eleitoral, na tentativa de nivelar todos os políticos por baixo.

Não faço parte desta cena deplorável, onde criminosos confessos buscam envolver pessoas inocentes em crimes que somente eles praticaram.

O que esses criminosos pretendem? Ora, a resposta é muito simples! Pretendem conseguir a redução das penas a que certamente serão condenados pelos crimes cometidos e já confessados à Justiça, mesmo que para isso tenham que envolver pessoas honestas.

No caso de Maurício Fanini, a condenação pelos crimes praticados e por ele próprio confessados chegará a 50 (CINQUENTA) anos de prisão !

Portanto, está mais do que explicado porque Fanini tenta delatar tudo e todos, sem, no entanto, apresentar quaisquer indícios de provas.

Qual a razão de dar credibilidade a um criminoso que realizou 870 depósitos em dinheiro vivo, em sua própria conta corrente, pagou cartões de crédito em dinheiro vivo e formou um patrimônio incompatível com sua renda?

É uma tentativa desesperada de delação, que pela ausência de provas, não será aceita pela Justiça. São acusações criminosas, com o objetivo de envolver pessoas inocentes, retirando o foco das fraudes por ele cometidas.

E para isso, mente descaradamente. Nem eu, nem qualquer membro da minha família, recebeu dinheiro desviado dos cofres públicos.

A compra do apartamento do meu filho Marcello foi realizada de forma regular, com recursos próprios e transferência bancária, sem a utilização de dinheiro vivo, o que foi esclarecido também pelo vendedor do apartamento, que foi ouvido duas vezes pelo Ministério Público Estadual.

Igualmente é criminosa a afirmação de que minha mulher teria solicitado 1.000 dólares para uma viagem de meu filho André ao Peru. Quem nos conhece sabe que não precisamos disso e a afirmação beira o absurdo.

Repito: é uma delação criminosa, sem provas, que busca apenas confundir as pessoas. Espero que a Justiça apure e esclareça rapidamente essa questão, para que os culpados sejam punidos de forma exemplar.”

 

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