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MST vai implantar agrovila e produzir alimentos orgânicos em nova ocupação

Proposta de famílias que ocuparam uma área que fica na APA Serra da Esperança, em Guarapuava, é criar agrovila e produzir alimentos orgânicos. Atualmente área da Igrejinha do Navio está ocupada.

16/12/2017

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O MST pretende implantar uma agrovila e produzir alimentos orgânicos na área recentemente ocupada, no distrito do Guará, em Guarapuava. Esse mesmo modelo de produção que o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra está começando no local já é realizado e reconhecido em outras áreas. Nesse modelo, as famílias moram em vilas, com as casas concentradas em um ponto da área, e produzem os alimentos sem uso de veneno e adubos químicos em pequenas hortas e sistema de agrofloresta, integrando homem e natureza.

Essa forma de ocupar a área é permitida em APA (Área de Proteção Ambiental). Atualmente, mesmo com restrições, a APA Serra da Esperança tem áreas com pinus e eucalipto, plantações de soja, milho, batata com uso de veneno e adubos químicos, o que é restringido pela legislação para esse tipo de área. Isso sem contar com os frequentes crimes ambientais no local, como o desmatamento.

Rodrigo Athayde, militante do movimento que conversou com a reportagem, explicou como será o funcionamento do novo acampamento em modelo de agrovila (ouça no player). Segundo ele, a proposta do Movimento é implantar modelo de agricultura que desconcentre a propriedade da terra e seja totalmente voltada para produção de alimentos.

Atualmente cerca de 98 famílias organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam uma área dentro do Acampamento 20 de Novembro, região do Guará, em Guarapuava. São famílias que já forma despejadas da mesma área que se somam a outras de Teixeira Soares, Castro, Ipiranga. Não há famílias do Pinhão, que foram despejadas no início de dezembro.

O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), órgão federal responsável por realizar a reforma agrária, tem sido pouco eficiente em seu trabalho. Os problemas no local são conhecidos há anos, mesmo assim o órgão nunca realizou uma revisão dos documentos para saber se de fato a empresa Elias J Curi, uma madeireira falida que extraiu árvores nativas por décadas da região, é de fato dono do local. Segundo o representante do movimento, somente agora o instituto reconheceu a possibilidade de fazer assentamento na área e prometeu fazer o seu trabalho, daqui para frente.

Enquanto o Incra continua prometendo soluções, o MST começa a organizar as famílias e realizar o plantio.

Não são todas as famílias da área 20 de Novembro que estão integradas ao movimento. A ocupução do local, aliás, é bastante diversificada. Existem ocupantes antigos, com vocação para vida rural, que já produzem em pequenas áreas, outros que ocupam grandes extensões de terra para monocultura de cereais ou madeira. Estão na região, também, aproveitadores que vem da cidade para depois tentar vender a área, ladrões de madeira reflorestada e criminosos que desmatam as áreas nativas.

Como o poder público é omisso há anos, à área de preservação está vulnerável e sofre recorrentes crimes ambientais .

O MST afirmou que se compromete em avaliar todas as famílias e não permitir que aproveitadores se juntem ao grupo.

Outro compromisso é manter bem cuidado o espaço da capela São Sebastião, a Igrejinha do Navio, local usado atualmente pela ocupação. Nesse sexta-feira (15), quando a reportagem da Cultura esteve no local, toda estrutura da comunidade estava bem cuidada, organizada e limpa.

Foto: Cléber Moletta.

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